Poemas declamados

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04 março, 2009

««Loucos««


Deixem o mundo aos loucos
Os sãos estão em declínio
Dêem o mundo aos loucos

Eles mantêm o fascínio
Da loucura transparente
Talvez acabem com o martírio
De um mundo tão dependente

Deixem sonhar o demente
Sua loucura é sadia
Teima em chamar de gente
A noite que queria ser dia

Louco que a mão estendia
Apontando a degradação
Da vida que dependia
De outra vida em escravidão

Os loucos jamais calarão
O seu grito de revolta
Ao verem tombados plo chão
Pedaços de criança morta

Nesta era que está tão torta
A loucura faz sentido

Apenas o louco transporta
Nos seus olhos o colorido
De os homens viverem unidos

Dêem o mundo aos loucos
Os sãos estão em declínio
Por tão pouco.

1 comentário:

A.Tapadinhas disse...

Maneira cruel de constatar uma verdade... Será que o mundo já pertence aos loucos?
Beijo.
António