Poemas declamados

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30 setembro, 2009

«« Alma ««


Sim…
Foi-se o tempo de pasmar
Calma
É hora de parar…

Porque corres e dizes não
Não verdadeira abolição
Dos sentidos enviesados
Calma sem alma
Buraco negro, negação
Essa tua aflição
Rodopias pela saliência do medo
E agora foi-se o tempo de pasmar
É hora, sim é hora de virar
Não, não ouvidos moucos
Foi-se a calma
Queres o tempo nas mãos
É um sonho a germinar

Pasme-se

Foi-se o tempo de pasmar
Foi-se a calma
Resta a alma, esse eterno rodopiar.

29 setembro, 2009

«« Oh ««


Deslizas pelo declive do desconhecido, labareda
Sim, labareda adormecida pela chama amarelada da incerteza
Dormência em malga de satisfação, a moeda
De troca, cor de carmim envolta em fita de cetim
Ris, de ti, talvez de mim, correnteza
A ventania que te empurra pelo penhasco
Medonho que se adivinha através do crer
Assim, nesse jeito de fazer, exaltação
Deslizas pelo declive do desconhecido.
Por fim, deste um pontapé na conveniência
E, corres em busca do tempo ido, jubileu
Em cascata de emoção, a chuva miudinha molha o barro
E tu lambuzas-te na terra vermelha
Oh, por fim és tu.

«« Por uma côdea de pão ««

( Glosas )

Mote…

Por uma côdea de pão
E um coirato de toucinho
Um pouco de arroz e feijão
Uma malga de bom vinho

Ó meu compadre João
Meu amigo camarada
Ora deixe lá a enxada
Aceite da minha mão
Um bocado de salpicão
Um copo de vinho tinto
Barriga vazia aperta cinto
Lá dizia o meu avô
Tantas as voltas que dou
Por uma côdea de pão

Um púcaro de bom vinho
Alegra o coração
Afeiçoa a devoção
Até bailo o corridinho
Abraçada ao meu vizinho
Rapaz de alma nobre
Boa rés mas sempre pobre
Vamos todos prá minha casa
Comer bacalhau na brasa
E um coirato de toucinho

No Alentejo a união
Faz do povo um só amigo
Ao lembrar a ceara de trigo
Vai cantando tristemente
E recorda  tanta gente
Que se foi p`ra outro lado
Onde tenta vencer o fardo
Ao juntar alguns centavos
Pois aqui o dinheiro só compra
Um pouco de arroz e feijão

O melro do Firmino
Canta canta sem parar
Vem mas é almoçar
E trás também o Pedrinho
Pra comer um torresminho
Uns passarinhos na brasa
Que nesta terra ninguém passa
Sem bom petisco comer
O gosto que me dá oferecer
Uma malga de bom vinho