Poemas declamados

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25 abril, 2008


Um cravo na espingarda
Numa madrugada
A esperança renovada
Ao romper da alvorada
Naquele mês de Abril
A Nação foi libertada
Nas ruas eram mais de mil
Com cravos na espingarda
A uma só voz foi cantada
Grândola vila morena
A ditadura foi derrubada
O Povo é quem mais ordena

«« Olhar de mulher que passa««

Linda mulher que vais a passar
Olhar altivo, olhando a rua
Olha a mulher que está a chorar
Que tem uma vida diferente da tua

Aquela mulher que é da rua
Todos os dias é humilhada
Sem sorte na vida e quase nua
Sempre agredida e maltratada

A mulher que é obrigada
De sol a sol a trabalhar
Pelo senhor é escravizada
E não tem como se libertar

A velhinha que está a chorar
De olhar vazio, num banco sentada
Tantos os anos a labutar
Agora, está ali, abandonada

A menina que é violentada
Lá longe num país distante
Pelo sexo é escravizada
Fingem não ver, os governantes

Hoje tal como antes
A mulher continua a sofrer
E no mundo os governantes
Continuam sem nada fazer

Quantas mais precisam morrer
Para o dia oito deixar de existir
Todos os dias são da mulher
Pois só ela tem o dom de parir

Neste dia eu vou fingir
Que está tudo bem, que não há mordaças
Não sei se vou chorar ou rir
Olhando a mulher que passa com graça

Coberta de peles, o choro disfarça
Olhar altivo, fingindo não ver
A outra mulher que está na praça
Que de tanto frio, está a morrer…

………………… versos escritos no dia 8 de Março 2008, ao ver os telelejornais e a forma como o tema era abordado….triste!

10 abril, 2008

«« começo ««


Vou ou não vou?
Vens cá tu, ou vou lá eu?
Com esta duvida estou
Desde que amanheceu


O pensar que isto me deu
Assim passou o meu dia
O meu mundo escureceu
Ao pensar que me não queria
O filme que eu fazia
De um amor a despontar
O Cupido é que se ria
Depois de a seta mandar

E foi um tal acertar
Que atou um laço apertado
Nosso amor a gatinhar
Para sempre lado a lado…

07 abril, 2008

«« o estado da nação ««


Meter a venda aos bois…
Quem não sabe o que isto é ?
Meus senhores por que sois
Vamos arejar o estaminé


Neste Portugal pequenino
Com tantos séculos de história
Com um Zé Povinho franzino
E tantos senhores sem memória
Todos falam da glória
Do que em outros tempos se fez
Não querem mudar a retórica
E pensar de quando em vez
Mas pensem com a altivez
Das gentes simples do povo
Não esqueçam a sensatez
E tentem gerir um todo
Porque o país cheira a mofo
Está na hora de mudar
Precisamos de sangue novo
De gente que saiba ousar
Comecem a cativar
Jovens com novas ideias
Deixem as mentes brilhar
E deixem de andar à boleia….

«« Meu Alentejo««


Há papoilas coloridas
Até onde a vista alcança
Mais adiante as Margaridas
Cobrem a terra de esperança.
Querem ensaiar uma dança
As cegonhas na sua andança.
À caricia do vento,
Meu Deus...Como tenho esperança
Ao olhar os campos neste dia.


É Primavera... Que trás alegria,
E ao Alentejo  a fantasia.
Já revivo com nostalgia
O cheiro do Poejo,
Embalada na melodia
Da água fresca no ribeiro.

Na sombra do velho sobreiro
Há uma penumbra ligeira
E o rebanho agora ao calmeiro
Dorme na ribanceira.
Deitado na sua esteira
O pastor também dormita
A seu lado está a rafeira
Que o rebanho vai vigiando.
Uma cotovia canta ligeira,
No seu canto os vai embalando.

É assim que vou memorando
O meu tempo de criança,
Pelo terra vou andando
Sons e cheiros na lembrança.

Lembro a eterna dança
Do trigo ondulante,
Lembro o som da Garça
No sobreiro verdejante.
As minhas gentes com esperança
Debaixo do sol escaldante.
E penso se o viajante
O Alentejo consegue ver.
Se entende o amor errante
De quem na planície quer morrer!

«« Gentes ««


Camponês,
Pelas rugas estás marcado
Homem de olhar parado
Trabalhas com altivez
As terras lá do montado
Ou então, guardando o gado


Curvas as costas cansado
Pensando na sorte madrasta
Encostado ao teu cajado
Nesta vida já tão gasta


Camponesa,
Mulher de garra
Mulher de força, com tal beleza
Neste Alentejo profundo
Vais cantando à desgarrada
Fendo-te lembrar ao mundo


Num lamento meio mudo
Cantas o amor à terra
No teu jeito meio sisudo
No teu estar de mulher sincera


Nos dias de Primavera
Cheira a alecrim, a giesta
Por esses campos tão floridos
Homens e mulheres da terra
Com apurado sentido
Vão cantado num gemido


Vão cantando num gemido
O cantar Alentejano
Que já está quase sumido
Neste mundo tão mundano….

01 abril, 2008

«« eu ««


Eu tenho saudades
Essa palavra crua
Que nos oprime as vontades
Que nos deixa a alma nua


Eu tenho saudades tuas
Minha meninice perdida
Quando queria ter a lua
Que no tempo ficou esquecida


Tenho saudades da vida
Que nunca cheguei a viver
Tenho uma saudade oprimida
Que acaba quando morrer


Saudades é reviver
Um doce momento da vida
Não será antes o empobrecer
De uma alma enegrecida


Esta minha saudade vencida
Aparece e quando em vez
Quase sempre fica escondida
Melhor que seja assim! Talvez…

«« O que ficou! ««


Já não há searas douradas
Que um dia cobriram os campos
Restam terras abandonadas
E velhos esquecidos num canto


Na planície ouve-se o pranto
De quem no tempo parou
Alentejo terras de encanto
De um povo que debandou


Para outras terras rumou
Mas sempre mantém guardado
O sabores que cá deixou
E o cheiro do montado


E quando volta cansado
O Alentejano imigrante
Pode morrer descansado
Nos braços do campo escaldante

«« MONTEMOR-O-NOVO


Montemor terra trigueira
Terra de gente sofrida
Onde as tardes de soalheira
Trazem barulhos da lida

Terra de gente sentida
Povo de alma nobre
Quase sempre dás guarida
Às dores da gente que sofre

No Alentejo vigias a sorte
Com teu castelo imponente
Que agora a chuva forte
Quer arrasar num repente

À tanto que se presente
Este destino final
Montemor terra de sempre
Na história de Portugal

Os que te deixam ficar mal
À muito que por cá estão
O castelo é só um sinal
Dos males da nação