Poemas declamados

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28 novembro, 2010

«« A minha nova casa ««

http://porentrefiosdeneve.blogspot.com/

«« Nasceu uma nova casa ««


Com 739 textos, na sua maioria poemas por onde se perdem alguns contos e uns poucos textos de reflexão chegou a hora de fechar o Escrita trocada, o meu blogue, a sua leitura começa a ser demorada para quem me visita, assim sendo acaba de nascer um outro filho ( Por entre fios de Neve…http://porentrefiosdeneve.blogspot.com/ ) a neve que muita vez me assola, ao olhar o mundo à minha volta.
O Escrita trocada manterá o mesmo endereço só que a partir de agora deixará de receber novos textos.
Agradeço a todos os que fizeram do Escrita Trocada o que ele é, e principalmente o que eu sou como pessoa e como poeta.
Quando dei inicio a este projecto apresentei-me, e durante muito tempo assim me senti, como alguém que gostava de escrever, mas não se sentia como tal, a partir de agora apresentar-me-ei como alguém que ama a escrita, e que se considera poeta acima de tudo, alguns poderão pensar que é presunção minha, mas sempre faço o que o coração me dita, e neste momento ele diz-me para seguir em frente, para continuar igual a mim mesma, que a retribuição será o carinho e o respeito de todos aqueles que me lêem, e que fizeram de mim com esse mesmo carinho e respeito, uma nova mulher.
No novo ano que se avizinha, se Deus quiser nascerá o meu primeiro filho em papel, no qual me encontro a trabalhar. Senti finalmente que vale a pena, e acima de tudo sei que não enganarei com aquilo que escrevo, nem a escrita, nem os leitores, nem me estou a enganar a mim própria.
Obrigado a todos.

27 novembro, 2010

«« Orei ««


Orei à virgem um dia, o amor eu lhe pedi
Virei costas fui embora, sem olhar p`ra trás
Essa hora e esse dia, longinquamente perdi
Caminhei por outras estradas, fiz o que fui capaz

Andei por caminhos longos, chorei e até sorri
O tempo, ora extenso ora airosamente fugaz
Recordava-me ao de leve o amor que não vivi
Essa mágoa marota, voltava de forma audaz

Volvi aos pés da virgem, sem vontade de oração
Olhei para ela, um baque no meu peito
A um novo olhar vi profunda solidão

Virei costas fui embora, um toque de emoção
Aflorou o meu sentir fez esse instante perfeito
O teu rosto vi nas nuvens, meu amor não foi visão.

«« Pó ««


Fixo na força do vento
Este medo de ser só
Parece que não sei que é pó
O medo que não entendo

Outras vezes já cansada
O vento empurro de jeito
Porque só vejo defeito
Na ventania e mais nada

O vento ligeiro corre
Parece que não entende
Que o meu medo pressente
Que por vezes, nem só ele corre

Numa planície verdejante
Nessas horas a solidão
Aperto na minha mão
E o medo fica distante.

25 novembro, 2010

«« Paz ««


Num outro tempo qualquer
Procurei a paz num terreiro
Agreste o terreiro me ensinou
Que paz é um malmequer
Que sem perceber despontou
Num sorriso de mulher

A paz tentei alcançar
Procurei de lés a lés
Mas enquanto a vida mandar
Paz, terá sempre revés

Num outro tempo qualquer
A paz fugiu foi embora
Agora quando penso melhora
O sorriso me enche o rosto
Tenho paz, tenho gosto
De no agreste sofrear
Qualquer martírio ou desgosto
Que de revés pensa entrar

Um sorriso gravo com gosto
Num malmequer desfolhado
Enche o meu terreiro orvalhado
Por lágrimas de fino fio
Que revêem de fio a pavio
A paz que aparenta o meu rosto.

«« Miseração ««


Habituei-me a ver o dia, através de um aquário
Na caixa translúcida pende a noticia, apática.
Não, as noticias não são apáticas
Sou eu que simplesmente fico estática
Ao pender da dor alheia, por vezes de soslaio
Um tremor inclina-se no meu olhar
A medo pede licença para entrar
Não, gritam os meu neurónios
Os trajes da menina viram demónios
Irei para a rua procurar
Aquela blusa eu quero comprar
A noticia rola sob o meu desdém
Quero lá saber se aquele alguém
Que foi agredido, se é filho ou mãe

Habituei-me a ver o mundo através de um aquário
Onde os peixes já não povoam o imaginário. Da nossa miseração.

24 novembro, 2010

«« Importância ««


A importância com que nos olhamos
Pode ser lei no nosso imaginário
Pode ser pasto, alimentar rebanhos
Pode ser fogo em mãos de incendiário

Será que dobra o olhar de frente
Daquele que apenas vê crente
Será importante ou será tristonho
Olharmos para nós com olhar indolente

Da imagem que reflecte no mundo
Aos olhos de quem nos vê
Para aqui estou pensando ser gente
Perdida por entre o porquê
Da importância que ao olhar ausente
Nos mostra eterno aprendiz.

A importância que tanto desdiz
Daquilo que pensamos ser
Ai meu deus mas algo me diz
Não é importante este meu dizer.

23 novembro, 2010

«« Pasmo ««



Inquietude do pensamento
Um certo pasmar alheio
À chuva que cai no momento
Em que olho para o passeio
Um arrepio, constrangimento
No deslizar da água gelada
Por entre duas pedras brancas
Ficou presa na calçada
Desassossego ao meu olhar
Um frenesim em volta molhada
Vira, revira penas ao ar

Aquele pássaro está-se a lavar
Naquela poça de águas paradas.

20 novembro, 2010

«« Nadas ««


Sinto num silêncio quieto
Em mim o teu olhar preso
Sendo pouco por entre nadas
São águas amainadas
No pequeno universo
Do meu mundo inquieto

Sinto numa boca fechada
Um minuto de atenção
Preso no meu fluir
Que me leva a sentir
O toque da tua mão
Na minha cara gelada

Nesta tarde de Outono
Onde o frio bate à porta
No silêncio do meu crer
Meu amor ouvi dizer
Que o nada pouco importa
Se tornarmos o abandono

Num coreto de jardim
Onde dançaremos
Uma valsa entrançada
Pelos nadas de nós dois
Vás ver que viram sóis
Aquecendo a madrugada

Finalmente descansaremos
Sem nadas ou frenesim

19 novembro, 2010

«« Montra ««


Quem me diz
De que é feita a sombra
Que despenha nos olhares perdidos
De que é feita a chuva miudinha
Que se entranha nos ossos moídos

Aflições que soterram
Os olhos que teimam em seguir
Os murmúrios que enterram
Vontades de sorrir

Quem me diz
Se estou certa ou errada
Se atolei em caixa fechada
Ou despontei igual a petiz
Numa manhã fresca e orvalhada
Por entre sombra acabrunhada
E fiz dela raiz

Radicalmente falando
No que quis e não quis
Quando a chuva miudinha
Acabou inundando
Os ossos cansados quebrados na ponta.

Radicalmente falando de olhares sem montra.

18 novembro, 2010

«« Julgamento ««


Queria ser camaleão
Mudar de cor com o vento
Queria ter o condão
De ser como um cata-vento

Aceitar que ser cruel
É coisa do ser humano
Ser frio, amargo sabor a fel
Tanta vez ser desumano
É coisa de gente comum
Pecado de sangue quente
Julgar não tem mal algum
Desde que não julguem a gente

Queria ser um camaleão
Julgar e não ser julgada
Ter quem sabe na mão
Uma farpa afiada
Espetaria o condão
De julgar ao deus dará

Afinal sou cata-vento
Quem me julga o que será?

«« Curva ««


Penso num caminho a seguir
Ali ao lado descansa a curva
Tantos passos a medir
Reviravoltas, copiosa chuva

Caudaloso o meu pensar
Pende no olhar tristeza
Talvez seja o enganar
Escondido na riqueza

Dos caminhos que olhei
Fingi tanta vez fingi
Virei costas enganei
A mim, eu sei e vi

A curva já se espreguiça, acabou de acordar
Dá licença senhora curva, decidi que vou passar

14 novembro, 2010

«« Avesso ««


Quem sabe vejo o mundo do avesso
Ou então quem está do avesso serei eu
Nada entendo de fim ou recomeço
Muito menos do escuro como breu

Quem sabe tapo os olhos sem sucesso
Viro a cara a tudo aquilo que moeu
Em pedra enfatuada, eu confesso
Talvez me perca no que nem nasceu

É como se fosse um poço sem fundo
Nos momentos em que estou em dia não
Demorem horas ou menos de um segundo

Quero lá saber se viram aflição
Olho em frente vejo latejar o mundo
E descubro que nem vale a confusão.

11 novembro, 2010

«« Autos ««


E se eu pedisse ao amor, amor
Se eu implorasse que me olhe nos olhos
Lhe dissesse que sou corsa bravia
Que não sabe aflorar os sonhos
Sou água tantas vezes fria
Impermeável a autos de actor

Se eu pedisse à noite o dia
Ao sol um pouco de fresco
Pedisse ao vento razia
Num acto romanesco

Quem sabe o amor me visse
Com olhos de bem-querer
Ou então de mim fugisse
Dizendo não entender.

«« Arreios ««


Preso em elos corrediços, que afinal rodopiam.
Está a olhar invejoso um sonho que estagnou.
Sem ter horizontes… Anseios quietos que obrigam:
Ao encolher de ombros… na hora que faltou.

A mente está amorfa. Sem motores que forçam.
À palavra livre e o seguir em frente… ancorou.
Só as penas soltas, quase sempre vagueiam…
Nos olhos arregalados, na mente que declinou.

Assim fico eu… presa… no que não entendo.
Num queixume azedo que já cruzou os braços.
E fica impávido, quem sabe… desejando.


Que a letargia se liberte de embaraços.
Ao rodopiar se corroam os fuzis, desgastando…
A preguiça acomodada, na míngua dos arreios.

09 novembro, 2010

«« Varinha de condão ««


Oscilo num bem-querer lamentoso
A existência é empolgada por vezes resfria
O próprio crer é tanta vez oco e tenebroso
É assim que olho cada letra que vira razia

Se escrevo sobre mim chega a ser curioso
A maneira com que me olho sem noite ou dia
Sem lágrimas mas com um fracasso airoso
Que me empurra como que por magia

Por becos onde os muros desmoronam
Com um golpe de sorte lá pincelam o chão
Pontos e virgulas que sem saber convergiram

Como se fossem pedaços de velho cartão
Que cobrem as letras que me retratam
Quem será que me deu a varinha de condão

06 novembro, 2010

«« Aconchego ««


Aconchego num tempo morno, um instante
Em que o olhar desliza pela ramosidade ociosa
Que o vento afaga, com um cuidado intrigante
Sinto-me leve mas presa por uma airosa

Letargia, que me impele à dormência constante
Finjo que não sou, não vejo e não estou curiosa
Como pode a tarde ser tão reconfortante
Se ali ao lado, a terra gira vertiginosa

Se o rio corre veloz, sulcando a terra árida
Onde transbordará a enxurrada da vida
E eu continuo olhando a ramagem ávida

De que o vento me dê na mansidão guarida
Me tape com um beijo, que te roubou de fugida
Quando te afagou os lábios, de vencida.

05 novembro, 2010

«« Forrobodó ««


Contra marés intemperadas cai
Um sujeito levando a barcaça
Como a gaivota cruzando céus infernais
Seu corpo desliza igual a carcaça

Vai esta terra contra a corrente, um ai
Brota das gargantas secas é desgraça
A fome paira sob a cabeças, são demais
As medidas, o povo ficou sem graça

Ai Portugal de tristes marés negras
Escorregas e bates no fundo sem dó
O povo perde as vestes e por fim as calças

De tantos buracos feitos no cinto só
Resta a fíbula, se foi a pele por entre as nesgas
De uns tantos que entraram no forrobodó

04 novembro, 2010

«« Vaidade ««



Na ponta da faca afiada a frieza
Escorre num misto de vaidade crua
Por onde desliza esta incerteza
De que a mente é mulher nua

Que corre com estranha e subtil leveza
Embrenha-se airosa pelos meandros da lua
Leva a água ao monte e à profundeza
Das cavernas mais inóspitas tal grua

Que eleva o que penso e te quero dizer
Num acto tresloucado de ignóbil poeta
Que se olha mas sabe reconhecer

Que numa ponta de faca afiada
Desliza a palavra liberdade, ali a moer
Está estática a vaidade aldrabada

03 novembro, 2010

«« Sono ««


Na ponta do meu olhar um ensejo
Amparado pelo medo de estar só
Eu sei, mas não quero e a seguir vejo
O momento fingindo não ter dó

Ao longe a musica de um realejo
Que me chega trazida pelo pó
De um livro onde as letras já não vejo
São meus olhos querendo fazer ó-ó

É meia noite, são horas de dormir
O mundo num silêncio frio e assombroso
Ao longe aquele cão continua a latir

O seu ladrar chega-me num eco malicioso
Agora o momento está mesmo a sorrir
O sono paira no teto, o vaidoso!

01 novembro, 2010

«« Bola de sabão ««


Aprisionamos uma bola de sabão
Criamos nela a ilusão que renova
Sem nos lembrarmos que é bola de sabão
Colorida mas que a água sempre leva

Na palma da mão desabrocha a tentação
Aos nossos olhos o colorido se enleva
Mas ao eclodir em derradeira negação
Por entre os dedos desliza feito prova

De que a ilusão de uma bola de sabão
Nada mais é do que o sonhar acrescido
Por entre os dedos num gesto destemido

Que nos mostra aquilo que queremos
Ao nosso olhar o arco íris luzente
Rebenta a bola, ( plof ) simplesmente