08 Novembro, 2009

«« Espaço ««


Não existe espaço… podemos ser um,
Escaparate, até mesmo um grande amor
Mas vivemos apressados, tudo é incolor
Não existe tempo nem sonho algum

Que se imponha à lei da sobrevivência, num
Momento andamos em frente, uma flor
Nos chama a atenção, lá vem uma força maior
Viramos as costas, em instante algum

Nos expomos à nossa vontade, inútil
Somos telecomandos ao sabor do quê
Do supérfluo, daquilo que é fútil

Adiamos a existência sem olhar o porquê
Da flor que cruzou o nosso caminho
Por vezes já tarde… acordamos em choque.

06 Novembro, 2009

«« Pressa ««


Deveria o amor saber ouvir, saber ler nas entrelinhas
Não perder tempo a contar as cintilantes estrelinhas
Que ofuscam a razão, mas apelam ao coração
Num toque suave fascinação
Deveria o amor saber dizer, que o tempo pára
Sempre que olhos nos olhos a paixão se encontra
Que os dias viram noite e vice versa, sem muita conversa
O amor nunca deveria ter pressa

Mas… e a dor, deveria o amor reconhece-la
Mesmo no silêncio, deveria escutar compreende-la

Num tempo longínquo acreditou que sim
Que um dia o amor se abeirava de si
Num pequeno toque trespassaria a alma
Num deslizar suave exponha com calma
As suas fragilidades
Mas o amor é apressado procura emoções de todas as cores
Esquece que deveria ser o porto seguro
De um certo coração imaturo
Na arte de amar
Deveria ter a força para aconchegar
O corpo cansado na noite fria
E reparar na lágrima enquanto sorria

O amor não a viu, estava apresssado…

«« Silêncio ««


Escuta a voz do silêncio, o frio intenso
Te conduzirá a mim, estática estou
Presa na placenta que o tempo gerou
Cordão umbilical entrelaçado no propenso

Ser de ninguém, tão aquém do meu eu
Serei por ventura um desaguar de ilusões
Onde se afogam as frustrações
E as minhas, a cinza as esvaiu

Nos confins da era do faz de conta
Fui arrastada, fui ensaimada, e até o medo
Se afastou do meu caminho, tropeçou no rochedo
Chamado vida aquém e tonta

Vestida de ilusão, mas na vertical
A mesma verticalidade que me mantêm suspensa
No silêncio de quem sabe que é a lagoa imensa
Onde se afogam as rotinas diárias, afinal

A lagoa é esverdeada no fundo segredam emoções
Recheadas de sonhos coloridos
De um dia, por um só dia nada seja fingido
E o verde das águas se dilua em outras cores.

Escuta a voz do silêncio ele te falará de mim

«« Vazio ««


O vazio penetra pelas artérias
Revitaliza a angustia em chaga
Que me toma como um pedaço de nada
Pergunto, porque não as portas abertas

Por onde deslizassem as folhas caídas
Restos de uma primavera adulterada
Pelo verão que amanheceu na madrugada
Num tempo já esquecido, perdi as asas

Que me incentivavam a voar… força de ser
De ouvir e de gritar, sou força viva
Sou uma sombra esgaça, acredito ter

Um caminho a percorrer, vida cativa
Por razão desconhecida, sobreviver
Mas… o vazio faz a derradeira tentativa

05 Novembro, 2009

«« Amar ««


Amar


No planalto onde vagueiam os sentidos
Por vezes a neblina chorosa me envolve
Como se fosse um manto que tudo encobre
Mesmo assim deixo que me guiem os anelos

Que me elevam a ti, e ao sabor dos teus lábios
No planalto onde perdida sou pobre
Transmudo o verbo que se inibe, mas descobre
Que o dia é inútil se por breves momentos

Cair na tentação de te esquecer, enfim
Faço parte de ti e tu és a minha costela
Somos átomo de uma galáxia longínqua, sim

Até a discórdia é uma enorme janela
Onde se avista o planalto e dançamos ao luar
Envoltos no verbo que é amar… segura cidadela.

04 Novembro, 2009

«« Outono ««


Porquê correr ao encontro das horas
É tão bom andar devagar, ao sabor do vento
Que varre a planície no momento
Sou filha da terra, com uma costela nas águas

Que caem nas tardes de Outono, frias e calmas
Renova-se a vida, esquece-se o lamento
Que o chão gretado pelo sol ciumento
Grita no pingo do verão, em lágrimas

Que se assemelham a espigas doiradas
Outras vezes ás papoilas encarnadas
as nuvens altas parecem longas velas

Planando no céu azulado, aliadas
Que tenho, companhia do meu sossego
Na planície se renovam as almas

02 Novembro, 2009

«« Solidão ««


Porque quebras o silêncio da madrugada
Avivando a memória meio esquecida
Porque queres fazer parte da minha vida
Porque teimas em te cruzar na mesma estrada

Que percorro presa no tempo, e tão cansada
Esta carga dobra-me as costas, entorpecida
Vai-te leva-a contigo deixa-me só, esquecida
Mais vale só, curioso ditado recorda o nada

O tal nada que me visita na noite morta
A solidão envolta na lua gélida
Porque teima em abrir a minha porta

Queria estar só, sim, eu e a porta de saída
Por onde afugentasse o desalento
De mais uma noite mal dormida