Poemas declamados

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28 novembro, 2008

««Ideia louca««



Na loucura das ideias
Um dia fiquei a pensar
Neste país de colmeias
Já todos querem voar

Obreiras a trabalhar
Ao compasso da nação
Rainhas só a mandar
Mas que grande confusão

Até o grande zangão
Se dá ares de senhor
Saltita de flor em flor
Como que andando em vigia

Nesta terra de doutores
Tanta falta que fazia
Um grande zangão pastor
Que soubesse fazer magia
E gerisse a companhia.

25 novembro, 2008

««Pensamentos««



Penso e repenso
No meu pensar alheado
Penso, e no que penso
Neste pensar conturbado

Penso e repenso
Parece que nada mais ser fazer
Senão pensar e pensar
No que pensei ao nascer
E ao morrer que pensarei

Em tudo o que cá deixei
Em tudo o que não quis
Em tudo o que mais amei
E no que não fiz por um triz

Penso e repenso
Em tudo o que já pensei
Por orgulho não agarrei
Ou por ódio eu deixei
Por ilusão até sonhei

Se algum dia direi
O que penso cá para mim
Então louca estarei
Não tenham pena de mim.

24 novembro, 2008

««Alentejo««




O saber de ser Alentejano
Cantar quando choramos
Abraçar a terra enquanto caminhamos

Por campos sem fim papoilas vermelhas
Sargaços marfim entre as ribanceiras
Sempre altaneira a grande azinheira
Por debaixo a eira onde brilha o trigo
Ao longe em fileira se avista o montado
Onde o pastor se encosta ao cajado

E mais alem para aquela banda
Fica o ribeiro de água luzidia
Onde brilha o sol pelo meio-dia

Ergue-se a voz de quem comanda
É o manajeiro anunciando a janta
Arrastando os pés lá vai o rancho
Procurar a sombra faminto de esperança

Num repente uma voz entoa
Outras se lhe juntam numa só pessoa
E vão cantando sem que a voz lhes doa
Cantigas de amor de amargo sabor

Com amargo sabor à terra cavada
Com enchada de dor de alma cansada
Abraçar a terra enquanto cantamos
Fingir um sorriso enquanto choramos

23 novembro, 2008

«« Um beijo ««



Dava-te um beijo
Sem hora marcada
Mostrando o desejo
De tudo ou nada

Dava-te um beijo
Ao sol do meio-dia
Dava-te um beijo em qualquer dia
Sem pressas sem tempo
Com muita alegria

Pondo nesse beijo a fantasia
De mulher criança
Brincando na rua
Carregando o desejo
De correr na lua

22 novembro, 2008

«« Insónia ««



Noites de insónia
Noites sem fim
Em que dou por mim
A vasculhar a memória

O que fui, o que sou
O que virei a ser
O que acabo de perder
Porque ando sempre a correr
Quando me dou ou não dou
Para onde vou

Noite de insónia
Porque não trazes a glória
A glória dos sentidos
Dos amores prometidos
Porque trazes na memória
A história dos gemidos
Dos medos vividos
Em noites de insónia.

18 novembro, 2008

«« Em retiro a Democracia««


Neste cantinho de Deus
Uma voz se levantou
Em meias palavras bramou
Fechem a Democracia
Quem diria, quem diria

Ao ouvir o que não queria
O povo estarreceu
Mas será que entendeu
A pobre Democracia
Está cansada, deprimida
Com tanta promessa falida

Tanta briga, tanta briga
Na educação é só intriga
A saúde está pior
Na justiça um mal maior
Nem falo no custo de vida

Em retiro a Democracia!!
Mas a quem é que isso interessa??
Raio de vida , raio de vida
Tanta lamuria e promessa.

13 novembro, 2008

««São Martinho popular««


Vou à adega provo o vinho
Neste dia especial
Comemorar o S. Martinho
Em terras de Portugal

Como já cheira a Natal
E o frio se faz sentir
Um copito não faz mal
Canto cantigas a rir

Como castanhas assadas
Ou então broa de mel
Ás vezes vai um pastel
Ou uma romã encarnada
Um abafado de mel
E uma febra bem passada

Com a alma renovada
Volto a casa bem tratada
Sinto que estou bem contente
É isto que o povo sente
Comemorei o S. Martinho
Fui à adega, provei o vinho.

08 novembro, 2008

«« Pastora««



Gostava de ser pastora
De um rebanho encantado
Rebanho sempre apressado
Com pressa de ir em frente
Ao invés de tanta gente
Que vive sempre cansada

Mas sem rebanho e sem nada
Meus anseios solto ao vento
Ao vento da pradaria
Com esperança de que um dia
Esta gente tão parada
Acorde e veja que o dia
Tem sempre as horas contadas

Contadas nas badaladas
Vinte e quatro é conta certa
Entre a noite e a madrugada
Sobra sempre tempo prá sesta
Tão pouco tempo nos resta
Mas que raio de vida esta…

Gostava de ser pastora
De um rebanho dourado
Para me sentir senhora
De um mundo sempre empenhado

06 novembro, 2008



Daqui …
Entre o principio e o fim
Eu olho a rua deserta
Olho a hora que se acerta
E me afasto mais de mim

Como um fantasma errante
De um mundo que não é meu
Eu olho a lua distante
E tenho frio Deus meu
O frio de quem morreu
Ou de quem fingiu que nasceu

Daqui…
Vejo o piscar das luzes
Vejo um vulto lá adiante
Com os dedos faço cruzes
É só um bêbado errante
No seu andar cambaleante

Daqui…
Eu queria fugir agora
Para uma terra distante
No relógio bate uma hora
O dia ainda vem longe
Eis uma lágrima que rola
Porque tem que ser assim