Poemas declamados

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16 abril, 2009

«« Pedra fria ««


Sinto que sou pedra fria
Gelado sepulcro
Sem corpo, ou finado

Estou gelada
Tão grande é a geada
Que a alma arrefece

Ai, como corro
Sem norte, sem senso
Corro em desalento
Ao encontro da morte
Naquilo que me esquece

Pedra fria que arrefece
O meu sangue,
Jaz sem vida
Esvaiu-se pela ferida
De um coração de ninguém

Estou só, e aquém
Das vidas que me renegam
Porque em vida me enterram
No tanto que me esquecem

De pedra fria talhada
Ando só por essa estrada
Em campo de espinhos coberto

Aqui e ali a descoberto
Os meus medos e anseios
Vão deixando largos passeios
Onde pisam sem ter dó

Reduzem-me a pó
Mas não sabem…
Que o pó se entranha sem dó
Por mais que o tentem afastar
Ele acaba por voltar

Pedra fria a sangrar
Gotas de sangue quente
Gotas de suor na mente
Tentando ser gente


Mesmo que não venha a alcançar
Um recanto seguro.
Onde possa estar comigo
Brilhe na luz, sem ser escuro
Onde encontre um ombro amigo…

Que se sente na pedra comigo
Me ensine a acreditar
Me deixe de novo sonhar

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