Poemas declamados

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12 abril, 2009

«« Morta sem estar morta ««


Morta sem estar morta
Vulto negro, pouco importa
Pedaço de carne que sobra
Na travessa de quem come

Roubaram-me até o nome
Numa fome que consome
Que me consome em vida
Por ser uma raiz estendida
Daquelas que não se dobra
Que incomoda

Morta na ignorância
Morta na arrogância
Tantas vezes na inconstância
Outras tantas na ganância
Morta no desapego
Que se tem no desassossego
Do que pesa no coração
Do que foge da nossa mão

Ao perder utilidade
O vaso usado se quebra
Não nos satisfaz mais a vaidade
Deixou de ser à nossa vontade
Não mais se enche de terra

Mataram-me com desamor
Viraram os olhos à dor
De quem busca a sua sorte
Como quem caminha prá morte
Levada no vento norte

Sempre igual
Igual no ideal
Na afeição
Dos que trago no coração
Mesmo quando digo não
Mesmo quando finjo não ver

O vento
Não se pode prender
Muito menos a agua a correr
Numa ribeira bravia
Igual,
Ninguém me domina
Talvez seja sorte ou sina
Mas sou eu e sou assim.

Morta…
Mas continuo aqui
Na espera
Que se lembrem de mim
No dia em que por fim morri

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