Poemas declamados

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01 abril, 2009

«« Décimas----- cantando o Alentejo««


Ai se eu soubesse cantar
Cantigas de amor e chão
Para assim puder bailar
Segura na tua mão

Cantar eu não sei não
Minha mãe não me ensinou
Para o campo me mandou
Trabalhar colher o pão
Perdida na imensidão
Da planície Alentejana
Passava toda a semana
Trabalhando de sol a sol
Todos entravam no rol
Deste lado do Guadiana

Botei olhos num pastor
Rapaz de bigode farto
Perdida fiquei de quatro
No seu modo trovador
Cantou-me cantigas de amor
Roguei que me ensinasse
A cantar tamanha classe
Mostrou-me a terra lavrada
Anafou-me em ceara dourada
E mandou que me calasse

Minha sina assim traçada
Entre o trigo e o montado
Entre um beijo roubado
Entre o tudo e quase nada
De uma vida mal fadada
Cantei no vento suão
Cantigas em contra mão
Cantei como soube a saudade
Cantei a fraternidade
Na era da revolução


Hoje lembrando o passado
Olhos no céu peço a Deus
Que traga prós braços meus
Um pastor engalanado
Não precisa trazer gado
Contento-me com coisa pouca
Basta que traga voz rouca
Versos bem alto gritar
Que me faça cantar e bailar
A seu lado alegre fado

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