Poemas declamados

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07 abril, 2009

«« Décimas…. Lembrando que a terra chora ««


Mote

Ao rubro de papoilas vermelhas
Por esses campos afora
Parecem enxames de abelhas
Lembrando que a terra chora

Vazam-me os olhos de águas
O campo está moribundo
Ai Alentejo profundo
Restolho raso de magoas
Triste vão as nossas vidas
Restam as terras cansadas
Tristemente abandonadas
Viraste quarteira de gado
Soberanamente engalanado
Ao rubro de papoilas vermelhas

Alentejo minha amora
Pedaço de terra encantada
Tola mente esvaziada
Retalhos de alma que chora
Que te beija hora a hora
Mais aqui mais acolá
Tudo está ao Deus dará
Tanto pedra tanta moita
Tanta gente que te açoita
Por esses campos afora

Longe vão tuas conquistas
A era da fraternidade
A terra da igualdade
Será que te restaram algumas
Dessas crenças encantadas
Dessas utopias luzentes
Tua gente está descrente
O teu povo está dorido
Desacreditou no fado corrido
Parecem enxames de abelhas

Viram costas vão embora
Procurar a melhor sorte
Voltam depois com a morte
Descasam na terra que implora
Pelo calor do seu corpo, agora
Nada resta está morto
Alentejano filho devoto
Guardador de gado ao relento
Resta-me soltar versos no vento
Lembrando que a terra chora