Poemas declamados

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08 julho, 2010

«« Rio e choro do mundo ««


Não indaguem porque rio
Nos dias em que almejo chorar
Até eu queria alcançar
Porque rio do vazio

Se sou sã ou demente
Como querem que responda
Se o mundo é esfera, redonda
Tanta razão, tão diferente

Não queiram saber porque choro
Num riso que deita abaixo
Um gesto mudo mas prefixo
O meu choro é riso sonoro

Não me olhem desse jeito
Nem me tentem entender
Sei que sou mó de moer
Sou pedra de rio sem leito

Perdi-me na enxurrada
Do choro e do riso a eito
Fujo do preconceito
A mente é a minha enxada

Talvez não cave tão fundo
Como eu acho que devia
Mas ao rir e chorar do dia
Do dia que nasce imundo

Cavo, cavo até mais não
Abro buracos perfeitos
Enterro lá os defeitos
Deste mundo em trambolhão

E assim rio se quero chorar
E choro se me apetece rir
É minha mente a aludir
Fazendo a esfera saltar
Fazendo o mundo girar
Ficar um pouco melhor
Com a mente colho a dor
Colho também o ódio
Deito abaixo do pódio
Tudo o que é retrógrado

Num buraco bem fundo
Enterro os devaneios
Os risos são finos lábios
Que querem beijar o mundo
Sonham que secam as lágrimas
Deste mundo, por um segundo.

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