24 julho, 2010

«« II Carta a mim mesma ««


A noite vai alta, mais uma vez preciso de falar contigo, mais uma vez sinto uma força invisível que me leva a desnudar-me perante ti, num lavar de alma amedrontada.
Sinto uma necessidade que me impele a revelar-te alguns dos meus medos, nunca te disse, mas tenho medo de morrer sozinha.
Pergunto tanta vez a Deus porque não encaixo nesta vida, porque sinto que se morresse neste momento ninguém daria por nada, porque sinto que o mundo gira ao contrário, sinto-me presa a uma outra dimensão. Odeio as futilidades do dia a dia, por isso adio, deixo sempre para depois as conversas que deveria ter tido há muito, verdade, verdade, que nunca tens tempo para conversar, verdade, verdade, que gosto de conversas em silêncio, não me olhes assim, para quê desperdiçar o tempo em palavras vãs que nunca serão entendidas, em promessas que nunca serão cumpridas. Quantas vezes te tenho dito, de amanhã não passa, ponho o pé na estrada e vou ser eu mesma, vou acariciar as flores pela manhã, vou dizer bom dia aos pássaros, aos velhos na praça, vou sair de casa e procurar o meu rumo, porque sabes, eu também tenho um rumo, corre solto no vento e chama-me todas as noites, diz-me que ao longe a vida me espera, diz-me que se eu morrer esta noite, a vida morre ao longe.
Mas… depois fico acomodada tenho medo do escuro, tenho medo que a vida ao longe seja fria, tenho medo das promessas, dos pensamentos até de mim tenho medo.
Gosto destas conversas, gosto do teu ar desligado, minha amiga gosto que me abanes e me faças falar.

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