Poemas declamados

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30 julho, 2010

«« Fados e toiros ««


São tantas as vezes
Em que recordo um fado triste
Uma pega de toiros
Um marialva

São tantas as vezes, em que choro
Com o trinar da guitarra
Tio Alfredo de samarra
Encostado ao balcão
Cantando com emoção
Um amor, uma cantadeira
Seu nome Argentina, ou Severa
Amália, Hermínia, Mariza
Que encarnou tantas almas
E nos transporta na brisa
De um fado cantado
Emoções do passado


Num fado bailado
Numa Lisboa antiga
O miúdo da bica
Seu discípulo, um dueto
Cantado a preceito
Alfredo e Farinha
Uma lágrima desliza
Fresca como a brisa
Num fado cantado
Uma tourada real
Era assim Portugal.

São tantas as vezes em que recordo o toiro
Entrando na arena, homens de capa
Enfrentam a fera, a multidão em espera
Olha a porta onde sai, o cavaleiro
Traje a preceito, seu nome Luís
Dizem que é da Veiga
Mas algo me diz
Que é moiro encantado
De um certo castelo
Sorriso sincero de homem do campo
Enfrenta a besta, um olé encanto
A orquestra já toca
Um passo doble que me toca
Dança o cavalo ao som da musica
Reparo num chapéu de uma linda musa
As flores na mão
Trémulo coração

Montemor ao rubro
Espera o triunfo
De um homem de colete encarnado
Sorriso, olhar apaixonado
Mãos na cintura, um passo em frente
Olha o toiro, é seu irmão
Apressa o passo, a união
Grita o povo olé, olé
Cai o grupo em cima do Zé
Ai, grita-me a alma enorme banzé
O toiro empina um punhado de homens
É a lei divina, o que ele não sabe
É que em cada pega
Do Zé que é forcado
Sua alma navega num voo alargado

Recordo tanta vez um tempo ido
Em que brincava numa praça de toiros
Corria na arena, era livre
Cantava um fado, sem o saber
Dizia meu avô alisando o chão
Ao mesmo tempo que tremia de paixão
Filha fados e toiros, há que entender.

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