Poemas declamados

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17 julho, 2010

«« Espelho ««


Desfolho um rosário bravio
De reflexos perdidos no espelho
Louco do mundo, lhe peço conselho

Peço que me diga o porquê
Das mortes tão prematuras
Infelizes criaturas
Envoltas em guerras de quê
Guerras de ambições ambíguas
Que tudo varrem com ódio
velhos morrem à mingua
Enquanto cultivam o ópio

Peço conselho afinal
Para a minha descrença
Perco o senso e perco a esperança
Ao ver uma criança, criada como animal
Ao ver a miséria exposta
Na montra do novo mundo
Mendigo mendiga imundo
Por um pedaço de vida, enquanto alguém aposta
Que a vida nada vale
No mundo é rei e senhor
Aquele que não teme a dor
Quem é rei que se regale
Com os martírios alheios

Enquanto eu peço conselho
Ao espelho que trai a esperança
Ao olhar uma criança
Empunhando uma g3.

Enquanto eu peço conselho
Para aquilo que não entendo
Por mais que tente, sustento
Meu olhar perdido no espelho.

1 comentário:

Luís Coelho disse...

Enquanto eu peço conselho
Ao espelho que trai a esperança
Ao olhar uma criança
Empunhando uma g3.

Que contradições do nosso tempo e do nossos dias. Crianças soldados.
Porquê....? que sabem eles da guerra...?
Crianças obrigadas a quê....

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