Poemas declamados

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11 agosto, 2010

«« Estou em dia não ««


Não queiras saber de mim
Como diz a bela canção
São vozes de mão em mão
Que me matam, ai de mim

De mim não queiras saber
Sou filha do vento suão
Carrego na imensidão
A voz, de outra qualquer

Também carrego as dores
Carrego, choros, maresias
As tristezas e alegrias
De paixões e desamores

Não queiras saber de mim
Eu de ti quero saber
Quantas vezes julgo morrer
Por não querer, e pensar assim

Depois pego numa caneta
Dou asas á imaginação
Cavalgo o vento suão
Julgo-me um velho cometa

Jogo-me em queda franca
Nas rimas que vou soltando
Rio e canto esvoaçando
No peito uma pena branca

Que me espeta e quer moer
Em cada estrofe parida
Revejo larga avenida
Em tudo o que sei escrever.

Mas o que queria dizer
Escondo a sete chaves
Aquilo que tu não sabes
É que fujo ao escrever

Fujo talvez das gentes
Que pelo meio se aquietam
Não sabem mas completam
Os meus versos emergentes.

Não queiras saber de mim
Porque estou em dia não
Encostei-me à solidão
E das rimas fiz festim.

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