Poemas declamados

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19 junho, 2009

«« Meretriz sou eu ««


Mulher perdida, mulher da vida
Olho-te de cima do meu pedestal
De mulher normal, na minha normalidade
Anseio ser meretriz
Tudo isso porque te vejo feliz.
Olho-te e vejo-te, rindo alegremente, chamando aquele freguês
Que me deixou mulher honrada, mas mal casada
E tu , sim tu, aproveitas os meus anseios, os meus receios
E vives sem querer saber de nada
Passas o tempo encostada a essa esquina
De lá para cá de cá para lá ensaias a dança da vida
Vida fácil de mulher sem porte
Quando ris à gargalhada, nessa esquina encostada
Quando levantas a saia, sob o meu olhar de mulher ponderada
Desfila a ilusão de mulher devassa, mulher de vida fácil
Meretriz sou eu
Que não vejo o penar, que te aponto esse desgastar
De uma vida sem amar
Meretriz sou eu
Que nunca parei para pensar, o porquê
Desse andar, que provoca o olhar de qualquer santo no altar
Mas fico a matutar
Encho a boca para falar o teu nome, a tua facilidade, sem ver a fragilidade
E falo à boca pequena da minha leviandade, dos meus desejos obscuros
Da falta de verdade que existe
No amor que vendes, no sexo, que repartes, assim ao Deus dará
Na gargalhada onde o choro escondes, quando eu mulher honrada
Passo por ti sem te ver
Olho aquilo que quero, vejo sexo, sexo e sexo,
Sexo, meretriz sou eu
Que nunca perdi um momento a pensar no teu sofrimento
A razão porque estás aí
Sim aí, de saia levantada, ainda não tiveste tempo
De a baixar desde o dia que foste violada
Por um qualquer homem, de mulher honrada
Ainda não tiveste tempo de a baixar
Desde o dia em que te puseram fora de casa
Menina de tenra idade, o teu pecado
A falta de sanidade de quem te gerou
Tu que a troco de uns trocados, fazes sexo sem pecado
Meretriz sou eu
Não tive tempo, nunca tenho tempo

Sou honrada falta-me o tempo….

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