Poemas declamados

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25 junho, 2009

«« Amarras ««


Soltei as amarras no vazio da essência
Vagueie sem norte arrastando o esqueleto na sobrevivência
Nos silêncios por pura conveniência,
Nos sorrisos tentando esconder a existência
Aqui e ali plantei uma flor, abriram as pétalas, fizeram-se ao mundo
Criaram raízes, mostrei-lhes os matizes da vida, nas cores do arco íris
Agora a meio caminho, sigo em frente pela charneca
Tentando alcançar os areais daquela praia deserta
Onde um dia me afogarei pela certa
Sozinha, mas desperta e sobretudo liberta.
Olho para trás e vejo uma clareia vazia, agora sei, nada lá cabia
Nem o amor, muito menos a paixão, a sofreguidão que consola o coração
Quando não se vê a vida pelo mesmo prisma, nada a fazer, perdeu-se a rima
Soltei as amarras, e sigo a direito
Deixei de lado o preconceito, finjo não ver o despeito
De quem me olha e não entende
Que dói muito mais viver sem essência, visando somente a conveniência
O bem parecer, os outros não ofender com as nossas opções.
Dói muito mais, esconder que temos alma, e essa alma carrega ilusões
Podem ser simples caprichos aos olhos de todos, mas são nossas
São as nossas entranhas, que gritam por elas, recebemo-las ao nascer
E depois, querem por força que as passemos a esquecer
Dói muito mais, viver a mentira, negar os ideais, esconder as ideias
Do que bater com a porta, dizer basta, sou gente, perdi a paciência
Quero ser dona da minha existência, não importa caminhar sozinha
Não importa terminar num deserto
Num deserto de areia fina, ah vou rebolar
Vou de areia me inundar, e quem sabe me afundar
Mas sei que lá no fundo, bem no fundo onde a areia é mais fina
Tem alguém para me receber no ultimo instante, um pouco antes de morrer.

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