Poemas declamados

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19 dezembro, 2009

«« Barco ««


Num remoinho que eleva a alma que chora
Cai-se em queda livre, sempre que a dor aperta
Sempre que uma nuvem cinzenta se acerca
E derrama sobre nós fria trovoada

Tantas dúvidas e tantas ilusões
Somos feitos de matéria incompleta
Vagueamos, mortos vivos na cauda de um cometa
Atracamos nosso barco num mar de queixumes

Meu amor, a vida é cor de rosa
Sempre que se acorda de manhã
É doce como o sumo da romã
Afinal a vida é airosa

Somos nós que a complicamos
Ajustamos o dia em nosso favor
Somos nós que tapamos o esplendor
Da manhã ensolarada, somos nós que a desfeamos

Meu amor
Somos nós que atracamos
Nosso barco num breve momento
E dizemos bom dia ao amor

Mas depois corremos, corremos,
Já cansados perdemos os remos
Afundamos,
Boa noite, finalmente adormecemos!

Júlia Soares ( pseudónimo )

1 comentário:

Cria disse...

Perfeitas palavras !! Beijos.