Poemas declamados

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25 março, 2010

«« Dor ««


A dor que me afaga o peito
É uma dor morna, sem simetria
Esta dor, tamanha dor, quem diria
Que a sinto e tão mal a vejo
Não porque não quisesse, eu sabia
Sabia, que ela me mataria um dia
Olho-a pela nesga com despeito
Pela nesga em que o sol me fugia
Esta sim estranha simetria
O sol a fugir do olhar, ai como fugia

E eu afogada na dor
Coração aos saltos, travo na boca
Salta, salta coração, deixa-me parecer louca
Louca de raiva, e de medo, um tremor
Assola-me a alma já gasta, coisa pouca
Pensarão os que me virem, vai louca, louca
E… nesse instante, a dor vestida de estopa
Troca-se por fina roupa
Não quer chatear o mundo, prego e estopa
São coisas banais, mas são rigor
A dor que é obra sem autor
Mesmo sendo dor sem clamor
É um verso, numa voz rouca.

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