Poemas declamados

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18 março, 2010

«« Carta a mim mesma ««


Esta madrugada escrevo. Uma carta a mim mesma.
Acabei de vislumbrar o seu olhar guloso
Ou está doida… ou está só… enganosa
É a forma de escrever seu curioso

Escrevo-te esta carta, nada
Como nada é a realidade quando escrevo
Escrevo-te esta carta e assim me atrevo
A dizer o que não sei, atrapalhada

Fico sempre que penso… o pensar mal me faz
Penso que escrevo quase nada, num tanto que sou capaz

De falar à muito perdi o jeito
Para quê? Está louca logo diziam
Agora ponho tudo no papel, a preceito
Coitada louca está, mal fariam

Se me lessem, e me vissem como sou
Mal fariam… se me olhassem a direito
Sou a tal que vou escrevendo, aqui estou
De alma vazia… nem tudo é perfeito

Perfeita seria eu se mentisse, ou iludisse
Quem navega em mar alto, tem mais valor

Pobre de mim sou pescadora no areal
Onde a maré vem despejar, todos as coisas
Que o mar rejeita numa fúria abismal
Como abismal são aos seus olhos todas as lágrimas

Aquelas que esta carta não mostra
Mesmo agora que acabei de me escrever
Vejo o seu sorriso igual a ostra
Em prato raso prontinha p`ra comer

Por favor deixe-me terminar, um abraço e um beijinho
Um calor, para mim é tudo ou nada
Atenção, é aquilo que preciso com carinho
Do nada que sou… para nada, assim dou esta carta por acabada.

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