Poemas declamados

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18 julho, 2009

«« Raio de luar ««


Por vezes procuro no espaço incerto
Uma galáxia distante, perdida em espiral
Um rochedo majestoso, no tempo ancestral
Por vezes procuro um vasto deserto

Onde me perca da minha existência
Possa conversar com o frio do silencio
Que trespassa o ego e se esfuma no vazio
Dos dias que passam em franca carência

Traz-me essa procura incoerente
Pedaços perfeitos, salpicos de esperança
De que um dia o tempo, seja de mudança
Que a minha estrela brilhe resplandecente

E traga na cauda areia perfumada
Lavanda, rosmaninho, pedaços de luz
Areia essa vista a contra luz
Mostre a tua imagem, um tanto cansada

Dos trilhos da vida, sonhos desfeitos
Carinhos por viver, em dias passados
Versos por escrever, outros declamados
Dos amores perdidos, horas sem acertos

Porque não chegas na noite esvaída
Em anos de luz e recordações
Nesse escuro em que escuto velhas canções
Que me lembram a vida, um dia perdida

Porque não te abeiras de forma subtil
E me ofereces a areia brilhante
Que se afasta da galáxia distante
E inunda a terra nas chuvas de Abril

Talvez essa chuva renove ilusões
Floresça o amor, num hino sublime
Serenata ao luar, em flauta que anime
Os corpos cansados, espiral de emoções

Renasce a aurora a noite já vai
A minha procura já dorme em silencio
O dia renasce se foi o mistério
Num raio de luar o deserto se esvai

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