Poemas declamados

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25 julho, 2009

«« Poetas do passado ««


Nascera em outra era,
Ah, seria eu poeta!
Nasci no tempo do facto consumado
Poeta é aquele que tem esgaça opinião
Escreve em contra mão, talvez, esbatido de visão
As coisas do coração, paixão, inibição
Das ideias, que devem fluir soltas como o vento
Nunca presas na retórica de um verso contrafeito..
Depois nascem os malabaristas das palavras
Aqueles que vivem paredes meias , com a razão e a ilusão
Com a utopia, a frustração, o certo e o errado, o fado
Do poeta malfadado, que nasceu fora de tempo
Deleite nos poetas do passado, sem medo ou pecado
Cuspiam no papel, como quem cospe na própria pele
Alimentavam-se de quezílias que quase sempre conduziam
Ao avanço, há descoberta, a novas referencias e directrizes
Geravam movimentos, alimentavam consciências, sem contingências
De bem fazer por bem parecer, ou bem dizer, preocupavam-se somente
Em escrever…
Sobre o amor, a dor, a politica e a revolta contra a vida torta
De uma pequena causa nascia a estrofe, onde o sangue jorrava
Em lufadas de ar fresco, mentes soltas e abertas, de preconceito
Escreviam e cantavam, o que os do seu tempo desdenhavam,
Mas em surdina idolatravam, reis e marqueses, damas e princesas
O clero e o povo, faziam dos poetas ídolos de carne e osso
Nascera em outra era…
Ai poetas do meu tempo, masturbem as ideias, encham-nas como as colmeias
Espalhem-nas paredes meias com Deus e o Diabo, escrevam a letra de um fado
E quem sabe,
Um dia serão recordados como poetas do passado…

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