Poemas declamados

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14 julho, 2009

«« Não me ouças ««


Não, não me ouças
Nem sequer me leias, passa,
Corre…
Segue o teu percurso leve, sem pensamentos nublados
Pela fome, a guerra, o velho que não tem pão
A menina que foi obrigada a crescer
Virou puta para sobreviver
E agora aos filhos o que vai dar de comer…
Foge da realidade, veste as vestes da insanidade
Embrenha-te no teu mundo do faz de conta…
De Cinderelas e príncipes
De panelas e caldeirões, muita cor e apertões
Já nem falo nas confusões
De beijos e muito amor, esquece tudo o resto
Não me ouças!
O meu mundo não é o teu, não…
O meu mundo é só meu, e daqueles que se olham no espelho da realidade
Que conseguem dormir todas as noites
Apesar…
Da guerra, da fome dos beijos e dos abraços,
Do mal dizer e dos embaraços,
Há… e dos amassos…
E das putas a compasso…
Nada disso nos passou ao lado, coube tudo no mesmo saco,
Dormimos na mesma cama que esse saco
E tu, encaixas a máscara da futilidade, talvez um dia acordes
Aí vais reparar que o tempo passou, envelheceste,
E …
Esqueceste de viver, caminhaste num mundo de bem parecer
Utilizas-te subterfúgios para inglês ver, foste feliz…
Deveras feliz!
Uma felicidade construída no nada, faca afiada
Que pende sob a tua cabeça
Olhas para trás não exististe, apenas subsististe…

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