Poemas declamados

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27 julho, 2009

«« Fim ««


Embrenho-me na expectativa
De cada cabelo branco, cada
Ruga a germinar, socalcos nus
O meu rosto a transfigurar, vazio
Existência presa por um fio
Olho o espelho da vida
Não me reconheço, perdi-me
Algures na planície deserta
Onde semeei os sonhos
Em hora incerta, marcada
Pela descoberta, em terra lavrada
Com o arado do saber, dos velhos
Que me ensinaram a viver
Ensinaram a te querer
Ai Alentejo,
És a pedra no sapato, buraco
Vulcão em chama, terra, terra
Dor tamanha, sangue, entranha
Eu e gente que te proclama
Nossa história de vida, bitola
Onde trilhámos o caminho
Que nos elevou ao ponto mais alto
Do sonho…
Resta o desespero de um fim
Sim, do fim … o nosso
Porque o teu Alentejo…
Não se avista no fim do tempo
Perdeu-se nas asas do vento.

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