Poemas declamados

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10 agosto, 2009

«« Despedida ««


Despeço-me da dor
Por entre a lágrima que cai
Despeço-me da dor
Por entre os desejos esfrangalhados
Por entre migalhas
De um amor aos bocados
Restos de alguém,
Que caíram no meu colo
Despeço-me da dor

Luz pálida e esbranquiçada
Que me aqueceu por um instante
Tão breve, tão difuso
Como a aurora que se esvai num ápice

Este medo de fechar os olhos
E nada mais reste,
Nem a recordação
De uma dor, um amor
Por um instante, aqueceu o coração
Despeço-me de ti
Por entre palavras e desamor
Que me jogas na cara
Desfiando fios de rancor
Despeço-me de ti sonho desfeito
Contigo deixo a minha fragilidade
A minha insanidade
Contigo deixo
Os restos de uma alma cansada
Perdida, fingida… morta
Os restos sem consistência
Que me impeliam a olhar além

Contigo
Deixo o silencio, e tento deixar a dor.

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