
Secaram as lágrimas, pensei que era dádiva
Engano virei pedra, que rola pela chapada
Que dorme no ventre da terra, que espera
Na busca, desespera
Perdida entre quimeras, o ver e o devaneio
Ardeu o rosmaninho, mingou o poejo
Secou o ribeirinho, virou pó o Alentejo
Ao longe um lugarejo, abandonado
Sombrio, funesto, parece assombrado
Tem ares de moiro encantado
No centro um chaparro pasmado, rapaz exaltado
Olha para mim abismado, com jeito gaiato
E fala-me num tom pausado
Encosta-te a mim pedrinha perdida
Fica do meu lado, no alto plantado
Da planície serei rei, de todos cuidarei
Terás sombra, e bolota, um castelo encantado
Dormirás ao relento, sob o céu estrelado
E não mais deixarei, que o Alentejo seja abafado
Ou tão somente ignorado, maltratado
1 comentário:
Este poema tem alma.
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