Poemas declamados

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01 janeiro, 2009

««Olho««



Olho a tremer, sem nada fazer
Miro o sul em redor
Um mal maior, em ré menor
Terras cobertas de pó
Entranhas de todos nós
Miro o seu desfalecer

Olho o entardecer
O entristecer
De quem parece viver

Olho com olhos de ver
Tudo à minha volta
A vida torta, o campo agreste
A seara que não floresce
O montado que envelhece
As gentes que não merecem

Olho a chorar
Alentejo a mendigar
A planície a soluçar
Um chaparro a gatinhar
E um melro a cantarolar

Uma canção triste de embalar
Escrita em versos de encantar
Como quem nos quer lembrar
Outros tempos outras eras
Os campos verdes, outras quimeras
Campos de esperança na primavera

Canta melro , canta , canta
Canta faz-me sonhar
Que a planície é um altar
Coberta de rosas bravas
De uma brancura tão alva
Que se estende até ao mar

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