Poemas declamados

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30 abril, 2010

«« Musa ««


Esta noite sonhei
Não um sonho qualquer
Sonhei com um malmequer
Abraçando uma papoila
Vistosa e casadoira
Esta noite vislumbrei
O meu país ausente
Remava contra corrente
Nas mãos molhos de cravos
Amarelos e vermelhos
Atados por fita verde
No meu sonho tinha sede
De água cristalina
Bebida numa campina
Nos campos do Ribatejo
Cheirar o doce poejo
Ali no meu Alentejo
Dou um passo e logo vejo
O leito do rio Tejo
A seguir a Estremadura
Mostra-se feito moldura
De uma tela de Malhoa
Deixo para trás Lisboa
E rumo a Trás os Montes
No Minho há tantas flores
São mulheres de tez clara
Olhos verdes , vistosa cara
Cheguei então ao Porto
A Ribeira feita Horto
O mercado das saudades
Inspira tantas canções
Agora estou em Viseu
Agradeço olhando o céu
Por esta terra de sol
Dou por mim estou no farol
De uma ilha dos Açores
O seu nome será Pico
Pasmada por ali fico
Preciso ir à Madeira
Abraçar uma bordadeira
Quem sabe me borde a chave
E me leve para o Algarve
Num bordado celestial
Meu país é pedestal
Dos meus sonhos, minha musa
Adoro esta terra confusa
Por fim acordei
De seguida eu chorei
Encontrei-me na Planície
Lá atrás na meninice
Olhando as nuvens que passam
São as mãos que nos enlaçam
Gentes de norte a sul
Portugal do céu azul.

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