Poemas declamados

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23 abril, 2010

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Porque me pesa a alma nesta noite lânguida, nem a lua aparece,preferiu ficar sozinha longe do meu olhar, olhar que se fecha a cada bater de hora, num contar interminável de minutos e segundos sem te ter.
Porque me pesa o peso dos dias, procuro correr contra o tempo em cada esquina da vida, num tempo que se esqueceu que a vida deve ser vivida , aos pares.
Porque me pesam os olhos, fecho-os cansada de nada, o mesmo nada que carrego feito em retalhos, aqui e ali pespontados pelo riso, mas os pespontos mais marcantes são os do choro em convulsão.
E o peito, porque me pesa, numa falta triunfal, sobrevive sob tudo o resto, como anémona Bizantina, quem sabe o meu coração deixou de ser vermelho e passou a rosa, desmaiado pelo silêncio de noites como esta.
E o peso de pouco saber, e apenas ter sensações de que algo está mal, que responder, que falar, quando a distância e o vazio tomam conta de mim e me afastam para o recanto mais frio da noite.
Meu amor, porque me pesa a distância, medida metricamente pelas horas sem dormir.
Porque me pesam os sonhos, o crer e até o sentir.
Deixei de sonhar num qualquer dia de Inverno, o Inverno do meu peso
O crer faz tempo que o enterrei no fundo do peito.
Mas o sentir esse não me larga, transporto-o às costas feito xaile de muitas camadas
Sinto num sentir enervado, que por mais que lute contra o tempo, ele será sempre meu aliado. É ele que me ouve, sempre que o peso dos dias e das noites lânguidas se torna demasiado pesado.

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