Poemas declamados

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15 abril, 2010

«« Parede branca ««


Estou aqui parada olhando a parede branca
É tão branca e deslavada
Nem uma sombra se atreve a violar
A brancura imaculada daquela parede branca
E eu aqui sentada
Desenhando sonhos na parede a saltitar
Aqui desenho uma amora
Mais adiante um roseiral
Lá ao fundo um riacho de agua cristalina
Onde afogo os meus ais
Vão ao fundo para logo regressar
E ficam ali plantados, na parede de cor neutra
Há, como eu queria
Que esta parede branca, me esbatesse a frieza
Que volta e meia me envolve
Será que sou eu
Que não vejo para lá da parede
Neste instante é ela que me olha
Com um brilho diferente
O branco é mais branco, é reluzente
Olha, estão a cintilar os meus gritos
Envoltos na mortalha do imaginário
Agora elevam-se pelo ar
Caminham de mãos dadas, num bailado hilariante
Convidam-me a dançar
E eu, olho pasmada
Esta parede branca que é o reflexo do meu eu
Onde nada entra neste dia
Senão a brancura da ausência
Que de tão fria que é,
As minhas ideias geraram-na branca
Agora vou andando, e olhando de soslaio
Aquela parede branca
Aceno-lhe num adeus imaginário
Segredo-lhe ainda, nunca me deixes parar de te olhar.

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá!
Parabéns pela postagem.
Resalto que na linha 13 a palavra "Há" não está na sua grafia correta em relação à semântica. (Há - do verdo haver)