Poemas declamados

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21 setembro, 2010

«« Ombreira da porta ««


Pela ombreira da porta
Passa a vida apressada
A porta parece agastada
Olha e não se importa

Pela a ombreira da porta
Passam vidas de rompante
Passam choros alegrias
Passa o ciúme
De quem sonha, alegrias
E no fim só tem queixume

Passo eu e passas tu
Passam dias sem fim
Os minutos apressados
Quando os conto, é o fim
Passam passos cansados
Ombros largos caídos
Aquele olhar baço
De quem na vida tudo viu

Passam crianças correndo
Namoros e namoricos
Até as pernas doendo
De tanto correr dizendo
Estou farta daquela porta

As velas de aniversário
Á porta não pedem licença
Ela vê tudo ao contrário
Quando passa a doença
No dia do casamento
A porta parece feliz
Mas o melhor de tudo
É quando nasce o petiz

Pela ombreira da porta
A vida passa num ápice
Um dia já pouco importa
A ombreira já não vê
Como que em talho de foice
Assim sem mais nem porquê
A morte bateu á porta

A ombreira não diz nada
Se encosta á porta estafada
A correria desenfreada
Termina em caixa lacrada

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