Poemas declamados

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25 novembro, 2010

«« Miseração ««


Habituei-me a ver o dia, através de um aquário
Na caixa translúcida pende a noticia, apática.
Não, as noticias não são apáticas
Sou eu que simplesmente fico estática
Ao pender da dor alheia, por vezes de soslaio
Um tremor inclina-se no meu olhar
A medo pede licença para entrar
Não, gritam os meu neurónios
Os trajes da menina viram demónios
Irei para a rua procurar
Aquela blusa eu quero comprar
A noticia rola sob o meu desdém
Quero lá saber se aquele alguém
Que foi agredido, se é filho ou mãe

Habituei-me a ver o mundo através de um aquário
Onde os peixes já não povoam o imaginário. Da nossa miseração.

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