Poemas declamados

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14 outubro, 2009

«« Penhasco ««


E se eu cair do mais alto penhasco
Porque o passo apressado se esquece de medir o tempo
E o tempo contrafeito esquece-se que é tudo menos perfeito
A perfeição sentindo-se invadida na sua privacidade
Dá um empurrão na minha insanidade
Essa, a insanidade veste-se da mais louca leviandade
Com vestidos de veludo lavrado a pecado
O pecado coitado, mete mãos ao trabalho e deixa-me louca
É aí que descubro que sou poeta de coisa pouca
Num pouco de nada escrevo os meus versos
Que bradam aos céus contra os arremessos
Da vaidade em que me banho sempre que escrevo
Nunca perguntei, afinal quem sou
Porque as palavras me saem em rodos de insatisfação
Porque me entrego à luxúria da criação
Apenas sei que me desnudo e me dou
Correndo o risco de cair do penhasco
Mas, nesse dia cairei em queda livre
Porque escrevo sem medir as palavras
Acorrento-as faço delas minhas escravas
As palavras levam as mãos à cabeça e bradam aos céus
És poeta mas pouco, os versos jamais serão teus.

Acabaram de voar, caíram nos olhos seus.

1 comentário:

Cria disse...

Um texto repleto de sentimentos ... Beijos.