Poemas declamados

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08 junho, 2010

«« I Morte ( O peso das minhas duvidas )««


Pesa-me o que não sei
Com a força intempestiva dos vendavais
Que tudo arrasta na sua fúria

Pesa-me o vazio
Pesa-me o abandono
Pesa-me no peito a nortada
Num tempo húmido e doentio
Caíram folhas novas, em pleno Outono
Subiram as águas na fria madrugada

Não, não as águas que correm no rio
As águas estagnadas, em lágrimas dobradas
No quarto húmido, tão velho, tão velho
Que encerra o mistério
Das coisas, sérias e recatadas
Embrulhadas em papel vermelho

Pesa-me o que não sei, sei lá
Talvez me olhem de lado
Talvez me vejam quarto fechado
Quem sabem um velho dirá
Ao ler o que nem eu sei, será o meu fado
E o velho dirá, é um verso desolado

Olharei o seu riso amarelo
Rir-me-ei virando as costas
Como me queres entender, se escrevo mas já estou morta.

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