Poemas declamados

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03 junho, 2010

«« Ao longe ««


Ao longe
A encruzilhada
A meio caminho
Uma tábua rasa
Num mês de Junho
A aurora
Um pássaro ferido
Sem asa

Ao longe
O meu pensamento
Desliza em degredo
Apetece-me gritar
É campo aberto
Sem medo, sem medo
A terra é vermelha
É barro por moldar

Ao longe
Em agonia
O calor mata a erva
Com o sol do meio dia
Meu amor, é terra, é terra
Num país a nascente
Tanta gente, tanta gente
Ai, Alentejo és suor
Do rosto, virado de frente
Do sonho num gemido
Pedaço de vida
Que acende

Ao longe a esperança
Embrulhada em estopa
Deambula pelas pedras
Sangue, negro, seiva viva
Encontram-se na encruzilhada
A meio caminho a planície
Agita os braços cansada
Grita, oiçam os grilos já cantam

Em tábua rasa me deito
Para logo me levantar
Um espinho cravado no peito
Montemor a abafar

Pelo calor do verão
Eu olho e mais nada
Mas pelo sim pelo não
Ponho o pé naquela estrada.