Poemas declamados

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17 junho, 2010

«« III Imaginação ( O peso das minhas duvidas »»


Num deslizamento imprevisto
Pesa-me a assimetria do desconhecimento
Deixo de ver o palpável
Assim que me envolvo no imaginável

Imagino-te neste instante
Um reflexo distante
Não porque estejas longe ou perto
Apenas porque o imaginar é esperto

Snobismo do meu ego
Sei que o tenho mas não renego
Como posso querer saber
O que queres ou precisas fazer
Aquilo em que te dispersas
Ou quais as tuas metas
Como posso estar tão certa
Na minha cegueira encoberta
Por uma certeza inabalável
Acomodada e confortável
De que o meu saber
É muito mais que o teu crer
E apenas porque te imagino
Sou dona do teu destino

Num deslizamento arrogante
Misturo as ilusões comodamente
Esqueço que ilusões são feitiços
E feitiços são piolhos pegadiços

Criados no casulo do imaginável
Cada um é descartável
Segundo os nossos medos
Encobertos por teias de enredos

Assim que me envolvo no imaginável
Talvez não saibas, mas deixo de ser eu
E passo a ser partículas a granel
Assim descarrego ilusões em apogeu.

1 comentário:

direitinho disse...

A imaginação fonte de criação de arte e sedução, de saber estar e viver bem com todos quantos nos rodeiam.
Nós imaginamos mas nunca descobriremos o que vai na alma do outro.
Imaginar pode ser um caminho mas nunca uma certeza.