Poemas declamados

Loading...

28 janeiro, 2010

«« Luzerna ««


Ainda agora o sol entrou pela janela
Olhei-o com ar de espanto, como quem pensa
Foi engano, sol essa espreitadela
Ou então trazes-me de oferenda
Uma luzerna onde se revela

Que existe sempre a esperança mais além
Que um dia o sol aparece airoso
Que nem sempre a chuva se mantém
Molhando o solo gretado e rugoso
Por onde as tempestades a devêm

Ainda agora o sol entrou pela janela
Esbateu-se no meu olhar pasmado
Será sol que me trazes a aguarela
Retratando o perfil do meu amado
Sol traquina, porquê essa piscadela

Num raio quente e fogoso
Que me aqueceu a alma semigasta
Do esperar constante e curioso
Ouve sol esta espera já basta
Portanto deixa de ser caprichoso

Não abra eu a janela de par em par
Logo quando cair a noitinha
E quem sabe convide a entrar
A lua, faça dela minha madrinha
Lhe peça para uma estrela me ofertar

E nessa estrela faça despontar o perfil
Do sonho que anda perdido ao relento
Perdeu-se na noite num mês de Abril
Meu Deus, faz tanto tempo
Que o tempo parou, choveram águas mil

Que inundaram a alma imatura, e singela
De menina traquina pensando ser mulher
Lá estás tu sol, dizendo-me és bela
Sol capricho, olha que eu fecho a janela
Ficarás retido no meu adormecer

E nem sabes sol o que faço a seguir
Junto-te à lua, enlaçado pela estrela
Grito meu amor, vem olha o sol a fundir
Um novo amanhecer onde se revela
Que basta o crer para nos fazer sorrir

Júlia Soares ( pseudónimo )

Sem comentários: