Poemas declamados

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18 janeiro, 2010

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Ouve, o vento canta lá fora
A aragem trás o som do campo
E eu, imagino que a alma não chora
As gentes brincam e riem noite fora
O Alentejo floriu de novo, espanto
Sobressai do céu azul, inda agora

Ouve os sobreiros ondulam ao vento
e, os pastos murmuram extasiados
As estrelas brilham no firmamento
E eu, revejo-me criança, outro tempo
Uma trança solta, olhos esbugalhados

Querendo alcançar o mundo
O tempo é curto, muito curto

E o Alentejo empobrece
O mundo revê-se em tempos perdidos
As gentes caminham cansadas, entristece
A alma de quem chora, fingindo que canta, padece
Gritos mudos, em todos os olhares antigos

Como antiga é a ruga faminta
No semblante do homem velho
Ai Alentejo, quem quiser que sinta
O teu sangue a correr, crença extinta
Mas… o sol raiou, gritou liberdade, vermelho

Cor de papoila, floriu de novo
Nas asas de uma gaivota que veio ao sul
Trouxe um cravo vermelho, e o povo
Engalanou-se e saiu à rua, homem novo
O céu vestiu-se de azul

Assim as gentes cantaram e bailaram
Mas hoje no frio do Inverno… a terra chora
Alqueva, as águas brotaram
As almas de novo olvidaram
Mas… o sonho tarda a chegar, tarda a hora

E eu, recordo a criança, já cansada
É longa a espera,
Meu Deus, como tarda
O sonho adormece enquanto aguarda
Que o Alentejo floresça na Primavera

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