Poemas declamados

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28 janeiro, 2010

«« Infértil solidão ««


Tenho uma saruga espetada no peito
A quem chamo abrasão, loura e ressequida
Pelas vicissitudes do esperar sem leito
Estendida ao comprido na estrada da vida

Tenho uma saruga que me diz estás dorida
Pelo olhar nublado e enviesado de causa efeito
Sempre que me lembras, estás só e ferida
Arregala-me os olhos em gesto insuspeito

Dá-me um abanão, eleva-me aos céus
Empurra-me e faz-me seguir em frente
Esta minha saruga nunca me tapa com o véu

Negligente de quem não vê, ou não sente
Que é só, caminha só, mas… segue mais além
Com a certeza que a solidão é infértil semente

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