Poemas declamados

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05 fevereiro, 2010

«« Cadeira de palha ««



Esperei eu pelo amor
Sentada numa cadeira
De palha
Palha tão gasta e branca
Que a confundia com o alvor

Que inundava o meu céu
Sempre que a manhã sorria
Sentada nessa cadeira
Fui definhando, sombra minha
Até que a cadeira quebrou

Ao entrar uma andorinha
Que no meu colo poisou

Falou-me então ao ouvido
Num trinar suave e fresco
Levanta-te dessa cadeira
Desbrava o terreno árido
Estás viva, estás inteira

Olhei-a placidamente
Estou louca agora sei
As andorinhas não falam
És ilusão aparente
Vai-te, sozinha ficarei

Esvoaçou a andorinha
Pelo quarto abafado

Bateu asas e voou
Deixando atrás de si
Um recado

A cadeira já não volta
Quebrou-se com o bolor
Que o pensamento inundou
Acorda e faz-te à vida
O sol lá fora raiou

Acenei-lhe num adeus
Abri os olhos acordei
Entrou um ramo verde
Que apressada agarrei
Eram os braços teus

Caminhei à luz do dia
Mão na mão, uma jornada
Depois da chuva a acalmia
Duas vidas uma estrada.

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