Poemas declamados

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29 setembro, 2009

«« Por uma côdea de pão ««

( Glosas )

Mote…

Por uma côdea de pão
E um coirato de toucinho
Um pouco de arroz e feijão
Uma malga de bom vinho

Ó meu compadre João
Meu amigo camarada
Ora deixe lá a enxada
Aceite da minha mão
Um bocado de salpicão
Um copo de vinho tinto
Barriga vazia aperta cinto
Lá dizia o meu avô
Tantas as voltas que dou
Por uma côdea de pão

Um púcaro de bom vinho
Alegra o coração
Afeiçoa a devoção
Até bailo o corridinho
Abraçada ao meu vizinho
Rapaz de alma nobre
Boa rés mas sempre pobre
Vamos todos prá minha casa
Comer bacalhau na brasa
E um coirato de toucinho

No Alentejo a união
Faz do povo um só amigo
Ao lembrar a ceara de trigo
Vai cantando tristemente
E recorda  tanta gente
Que se foi p`ra outro lado
Onde tenta vencer o fardo
Ao juntar alguns centavos
Pois aqui o dinheiro só compra
Um pouco de arroz e feijão

O melro do Firmino
Canta canta sem parar
Vem mas é almoçar
E trás também o Pedrinho
Pra comer um torresminho
Uns passarinhos na brasa
Que nesta terra ninguém passa
Sem bom petisco comer
O gosto que me dá oferecer
Uma malga de bom vinho

1 comentário:

Cristina disse...

Belo petisco de poema Alentejano!Estou pronta...para comer!

Beijocas