Poemas declamados

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24 novembro, 2008

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O saber de ser Alentejano
Cantar quando choramos
Abraçar a terra enquanto caminhamos

Por campos sem fim papoilas vermelhas
Sargaços marfim entre as ribanceiras
Sempre altaneira a grande azinheira
Por debaixo a eira onde brilha o trigo
Ao longe em fileira se avista o montado
Onde o pastor se encosta ao cajado

E mais alem para aquela banda
Fica o ribeiro de água luzidia
Onde brilha o sol pelo meio-dia

Ergue-se a voz de quem comanda
É o manajeiro anunciando a janta
Arrastando os pés lá vai o rancho
Procurar a sombra faminto de esperança

Num repente uma voz entoa
Outras se lhe juntam numa só pessoa
E vão cantando sem que a voz lhes doa
Cantigas de amor de amargo sabor

Com amargo sabor à terra cavada
Com enchada de dor de alma cansada
Abraçar a terra enquanto cantamos
Fingir um sorriso enquanto choramos

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