31 dezembro, 2009
30 dezembro, 2009
«« Lendas ««

Chamei-te deus…
Mas esqueci que os deuses são lendas
Chamei-te deus…
Pecados meus
Chamei-te homem
Pecados me consomem
Acabei por chamar-te amor….
Logo ficou algum desamor
Daqui para a frente vou chamar-te …
Pelo teu nome
Talvez o dia não tome
As direcções das lendas vivas
Talvez a minha boca repita
Amor…com algum sabor…
26 dezembro, 2009
«« Lábios fechados ««
Elevei a expectativa aos picos mais altos
Fiquei esperando que lesses nas entrelinhas
Talvez, que lesses nos meus lábios fechados
Cega sou, quem espera sempre definha
Elevei a expectativa por robustos telhados
Pensei que tapavam o frio que tinha
As telhas soltaram-se, foram os ventos dobrados
Que teimam em chegar pela noitinha
Acreditei que encontrara o mar salgado
Onde as sereias bailam e cantam um hino ao amor
Mas não, encontrei um lago parado
Que também esperava numa muda dor
Que lhe lessem os lábios fechados
Sabes, agora sei, porque os lírios mudam de cor
«« Frases banais ««
Frases banais, deixadas em campo aberto
Ferem como punhais, ferem mas não verte
Sangue, não, vertem lágrimas em riacho
Aberto na face cada vez mais inerte
Frases banais, sinónimo de desalento
Porque será que o silêncio não adverte
Que um coração em chaga é cata-vento
Que se espreguiça na esperança que liberte
O grito calado pelo silêncio imposto
Numa noite escura e fria de nenhures
Talvez a luz mortiça lhe tape o desgosto
De ser um ser, que passa algures
Entre o ter e o perder, o ser ou não ser
Com frases banais, não mais me procures.
«« Sina ««
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Porque pedes tu, o que pensas dar
Porque queres tu, o sol e a lua em partes iguais
Porque é que teimas em barafustar
Porque sonhas tu, com estios e madrigais
São tantos os limites, olha ao longe o mar
Sereno, num repente as ondas são abismais
Assim é a vida, ondas incansáveis num balançar
Momentos calmos, são como os olivais
Por onde o vento caminha, fica o aroma
A brisa ligeira, água cristalina
Que enche de esperança, afasta o sintoma
De vazio, olha meu amor o sol ilumina
As almas sozinhas, desfeitas de sonhos
Olha amor, o sol se tapou, será nossa sina
«« O sol já vai alto ««
O sol já vai alto
Um sol tímido,
Raiou sem sobressalto
O seu brilho cândido
Eleva o meu pensamento ao alto
O sol já raiou
Que é feito de ti
O tempo parou
E o sol sorri
Da espera que não cessou
O sol riu eu vi
Vi o brilho no olhar
Reflectido no espelho
Vi um ai soluçar
Morrendo de velho
Vi alguém a esperar
Com um vestido vermelho
Vermelho vivo
Como viva é esta espera
Exasperar abrasivo
Que mata qualquer quimera
E volta o ai aflitivo
Recordei a primavera
Quando o amor floriu
As árvores ganharam vida
Foi há tanto tempo, fugiu
E eu aqui, perdida
O meu sonhar ruiu
Ficou preso no telefone
Que ficou mudo coitado
Será que ele consome
Os dias que já são passado
Toca, toca telefone
Trás noticias do meu amado.
O sol já vai alto
Que é feito de ti
Eu em sobressalto
O telefone não ouvi…
25 dezembro, 2009
«« Meu amor o tempo urge ««

O amor na ausência deixa-nos irrequietos
Envolve-se de fissuras, de névoas cruas
Deixa-nos num marasmo, boquiabertos
Como se a ausência fosse folhas nuas
Que deslizam pelo tronco em nós
Corredios, e as saudades são faluas
Que deslizam em mares revoltos
Onde as águas se transformaram em lágrimas
Quase sempre a tua ausência me traz, dor
Aliada de uma visão conturbada e fria
Quase sempre a tua ausência carrega o pavor
Meu amor, o tempo urge é voraz e não fia
Os momentos que se perdem, na distância
Entre o ir e o vir, o tempo, é gorda agonia.
«« Quando um filho nasce ««


É natal… quando um filho nasce,
É Natal quando a vida rebenta,
Em vivas forças, resplandecente maré.
É Natal, quando acontece em todas as horas.
Natal, a palavra mágica de todas as cores.
Natal, é a hora de um parto, deslizar de lágrimas.
Alegria , expectativa , saudades.
Resvalam ao primeiro minuto, são asas...
Saudade da criança traquina, mãe a chamar.
Saudades das brincadeiras, sorrisos abertos,
Saudades dos ralhos. Quero-te homem a sonhar.
Pelos trilhos do mundo sem arreios,
Quero-te filho gerado num dia de sol.
E que o Natal seja em todos os momentos.
«« Natal surdo ««

Por entre as paredes caiadas a luz brilha
Descanso o olhar no vazio infinito
Os sons apagaram-se como que por magia
No silencio meu olhar afoga o grito
Que teima em sair da garganta seca
Teima em libertar-se no espaço, aflito
Porque te esqueceste de mim nesta hora
Volto a olhar as paredes brancas, o meu espírito
Vagueia por entre a luz amarelada que
Envolve a casa vazia de nada, e de tudo
Tentando obter a resposta ao porquê
Do silêncio nesta noite em que expludo
Sinto-me corrompida nas minhas crenças
Afinal, serei eu , serás tu ou o natal que é surdo.
24 dezembro, 2009
«« Feliz Natal ««

Feliz Natal
Olha…
Lá fora a chuva cai
Bate no beiral e se esvai
Como quem corre apressado
Olha, o tempo parece cansado
É noite de Natal
No meu peito soa o sinal
Dizem que Jesus já nasceu
Que será que ele entendeu
Das mensagens das crianças
A pedir caras lembranças
Ele, que nasceu na manjedoura
Teve por vestes a aurora
Que será que ele pensa
Deste mundo força imensa
Um descomunal compassado
De pressa num supermercado
Olha …
Lá fora a chuva cai
Corre, corre e lá vai
É natal
Que a prenda seja real
Na árvore que trás a vida
Muito carinho, ternura aquecida
Pelo espírito de Natal
Amanhã de manhã, olha, olha para o beiral
Por onde a chuva escorreu
Lá estará digo-te eu…
O meu voto de boas festas
Muito amor, umas lágrimas delicadas
Que teimaram em escorrer
Teimaram em aparecer
Ficaram no teu beiral
Meu amor, feliz Natal.
Júlia Soares ( Pseudónimo )
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