13 fevereiro, 2009

««Deixa-me louca parecer««


No teu corpo quero cair em tentação
Num rio de sabores e desejos envolver-me
Sentir o calor de dois corpos em fusão
Em labaredas loucas aquecer-me

Quero ouvir no teu peito o coração
Quero desvendar o que tens para dizer
Quero embriagar-me num rio de paixão
Meu amor deixa-me louca parecer

Eleva-me aos céus pelo firmamento
Essa noite será nossa até se fazer dia
Porque os sonhos de amor, desfolha-os o vento

Eleva-me nos braços da fantasia
Serei tua musa num breve momento
E a seguir meu amor, feliz morreria

12 fevereiro, 2009

««Beijos««


Beijos, eternos sabores a fruta madura
pedaços de amora, caramelo, hortelã
feitiços que nos invadem de ternura
que sorrateiramente brilham pela manhã

Em beijos subimos ás mais altas montanhas
rompemos por mares nunca navegados
somos guerreiros de tamanhas façanhas
outras tantas vezes, nos sentimos ultrapassados

Serão os beijos delicias dos enamorados
ou serão o repouso das almas perdidas
quem sabe somente castelos sonhados

Por dois seres que repousam de bocas unidas
perdidos na sorte do instante inventado
quem sabe morrer, nesse momento de vida

11 fevereiro, 2009

««Rimas de um fado««


Quase me sinto sem chão, solidão
pareço ser, um descampado árido
Onde a água não abunda, devastidão
e o céu teima, em ser de um azul pálido

Quando sinto minha alma em turbilhão
logo me vejo, rimas de um fado
Cantado no mais rouco vozeirão
de fadista castiço, maltratado

As amarras que corto nessa hora
quando afasto indolente minha dor
e a medo recolho meu coração

Parecem correntes borda fora
de nau Catrineta em verso de sabor
requentado na fria chama da ilusão

10 fevereiro, 2009

««Se eu morrer amanhã««


Se eu morrer amanhã, quem me chorará
a água da fonte, as pedras da rua
Se me for amanhã, quem se lembrará
a andorinha negra, minha morte é sua

O campo agreste, ele me cantará
melodias em pó, caminharão prá lua
Só o restolho rente, me lamentará
no seu ventre, fica minha alma nua

A terra lavrei, nela semeei, a solidão
por este campo brotarão fontes de sal
no seu leito correrá minha paixão

Por mim não chores, nem tenhas afeição
minha alma virou nuvem afinal
quando chover, alagará teu coração

«« Se eu te falar de amor««


Se eu te falar de amor
Tanta coisa te vou perguntar
Porque é que amor rima com dor
E a saudade, porque teima a seu lado estar

E só estou a começar
A conversa está no inicio
Porque tantas vezes o amar
Vira enorme sacrifício

Tal qual fogo de artificio
Que brilha em rios de fogo
Ás vezes parece que é vicio
De boémio errante e louco

Outras vezes sabe a pouco
Esse amor de desventura
Quando no peito nos dá um soco
Vira amor de amargura

Depois tem o amor ternura
Que pelo tempo vai passando
Esse amor não é aventura
São duas almas se adorando

Se eu te falar de amor
Direi que sou aprendiz
Por entre balões de dor
Vou vislumbrando, um amor feliz

08 fevereiro, 2009

«« Cansaço««




Cansaço das almas quebradas
Amordaçadas, ignoradas, retalhadas
De quem solta as amarras
E fica à deriva, perdida, sem vida

Um cansaço pesado como chumbo
Que não apetece acordar
Para enfrentar o mundo, recomeçar

Usa e abusa
Sem querer maltratar
Cansaço vieste para ficar

Cansaço ao nascer
Cansaço ao envelhecer
Teimando em viver
Cansaço, só uma pergunta
Não me queres esquecer?

07 fevereiro, 2009

««Vejo torto««


Tenho uma mão cheia de tudo
Uma sacola de coisa nenhuma
Apetece-me rir do mundo
Desfazer-me em névoa, em espuma

Em suma
Vivo de forma errante
Neste mundo descabido
Sou um átomo inconstante
Que em nenhures perdeu sentido

Ai que triste alarido
Minha alma ás vezes faz
Solta um grito contido
Bramando deixa-me em paz

Conter-se não é capaz
Neste mundo triste e louco
Em que tanta alma faz
Malabarismo por tão pouco

Quem sabe, sou eu que vejo torto
Nesta era não encaixo
Não te encontro graça, conforto
Triste mundo do bota abaixo

04 fevereiro, 2009

««Cantar-te nao sei««


Ai minha terra
Meu doce encanto
Vejo-te a alma
Coberta de pranto
De negro manto
Andas vestida
Sempre sonhando
Com outra vida
Minha terra agreste
Cansada dorida
Pelos ventos de leste
Pela chuva tingida
Ai minha terra
Cantar-te não sei
A conta perdi
O tanto que chorei
Uma coisa sei
Minha terra amada
Ao morrer te levarei
Na alma cravada

03 fevereiro, 2009

««Chuva que cai««


Olhando a chuva que cai
Do outro lado da vidraça
Minha boca cala um ai
Cala a dor cala a desgraça

Terra mãe que nos abraças
Renascendo nesta chuva
Uma lágrima se entrelaça
Ao olhar aquela curva

O meu olhar vislumbra
Um vulto lá adiante
Não passa de sombra confusa
Não sei se é bicho, se é gente

Só sei que vai na corrente
Desta chuva em cascata
Se for homem é descrente
Desta vida que logo o mata

Cai a chuva na chapada
Esta terra vai lavando
Minha alma se deleita, pasmada
Nos passos da chuva dançando

01 fevereiro, 2009

««Teu, meu, tempo


O meu tempo é o teu tempo
Dividimos o mesmo espaço
Pisamos o mesmo chão, contra-senso
Quase que sinto o teu abraço

Revolta em mar de sargaços
Deixo as ideias pairarem
Tentando decifrar os traços
Do que contas sem falar

Nosso tempo é um desvendar
De sonhos de medos contidos
Nossas mentes um fervilhar
De palavras, versos doridos

Raio de tempo dividido
Que teima em separar
As almas que buscam abrigo
Nem que seja num simples olhar