07 abril, 2008

«« o estado da nação ««


Meter a venda aos bois…
Quem não sabe o que isto é ?
Meus senhores por que sois
Vamos arejar o estaminé


Neste Portugal pequenino
Com tantos séculos de história
Com um Zé Povinho franzino
E tantos senhores sem memória
Todos falam da glória
Do que em outros tempos se fez
Não querem mudar a retórica
E pensar de quando em vez
Mas pensem com a altivez
Das gentes simples do povo
Não esqueçam a sensatez
E tentem gerir um todo
Porque o país cheira a mofo
Está na hora de mudar
Precisamos de sangue novo
De gente que saiba ousar
Comecem a cativar
Jovens com novas ideias
Deixem as mentes brilhar
E deixem de andar à boleia….

«« Meu Alentejo««


Há papoilas coloridas
Até onde a vista alcança
Mais adiante as Margaridas
Cobrem a terra de esperança.
Querem ensaiar uma dança
As cegonhas na sua andança.
À caricia do vento,
Meu Deus...Como tenho esperança
Ao olhar os campos neste dia.


É Primavera... Que trás alegria,
E ao Alentejo  a fantasia.
Já revivo com nostalgia
O cheiro do Poejo,
Embalada na melodia
Da água fresca no ribeiro.

Na sombra do velho sobreiro
Há uma penumbra ligeira
E o rebanho agora ao calmeiro
Dorme na ribanceira.
Deitado na sua esteira
O pastor também dormita
A seu lado está a rafeira
Que o rebanho vai vigiando.
Uma cotovia canta ligeira,
No seu canto os vai embalando.

É assim que vou memorando
O meu tempo de criança,
Pelo terra vou andando
Sons e cheiros na lembrança.

Lembro a eterna dança
Do trigo ondulante,
Lembro o som da Garça
No sobreiro verdejante.
As minhas gentes com esperança
Debaixo do sol escaldante.
E penso se o viajante
O Alentejo consegue ver.
Se entende o amor errante
De quem na planície quer morrer!

«« Gentes ««


Camponês,
Pelas rugas estás marcado
Homem de olhar parado
Trabalhas com altivez
As terras lá do montado
Ou então, guardando o gado


Curvas as costas cansado
Pensando na sorte madrasta
Encostado ao teu cajado
Nesta vida já tão gasta


Camponesa,
Mulher de garra
Mulher de força, com tal beleza
Neste Alentejo profundo
Vais cantando à desgarrada
Fendo-te lembrar ao mundo


Num lamento meio mudo
Cantas o amor à terra
No teu jeito meio sisudo
No teu estar de mulher sincera


Nos dias de Primavera
Cheira a alecrim, a giesta
Por esses campos tão floridos
Homens e mulheres da terra
Com apurado sentido
Vão cantado num gemido


Vão cantando num gemido
O cantar Alentejano
Que já está quase sumido
Neste mundo tão mundano….

01 abril, 2008

«« eu ««


Eu tenho saudades
Essa palavra crua
Que nos oprime as vontades
Que nos deixa a alma nua


Eu tenho saudades tuas
Minha meninice perdida
Quando queria ter a lua
Que no tempo ficou esquecida


Tenho saudades da vida
Que nunca cheguei a viver
Tenho uma saudade oprimida
Que acaba quando morrer


Saudades é reviver
Um doce momento da vida
Não será antes o empobrecer
De uma alma enegrecida


Esta minha saudade vencida
Aparece e quando em vez
Quase sempre fica escondida
Melhor que seja assim! Talvez…

«« O que ficou! ««


Já não há searas douradas
Que um dia cobriram os campos
Restam terras abandonadas
E velhos esquecidos num canto


Na planície ouve-se o pranto
De quem no tempo parou
Alentejo terras de encanto
De um povo que debandou


Para outras terras rumou
Mas sempre mantém guardado
O sabores que cá deixou
E o cheiro do montado


E quando volta cansado
O Alentejano imigrante
Pode morrer descansado
Nos braços do campo escaldante

«« MONTEMOR-O-NOVO


Montemor terra trigueira
Terra de gente sofrida
Onde as tardes de soalheira
Trazem barulhos da lida

Terra de gente sentida
Povo de alma nobre
Quase sempre dás guarida
Às dores da gente que sofre

No Alentejo vigias a sorte
Com teu castelo imponente
Que agora a chuva forte
Quer arrasar num repente

À tanto que se presente
Este destino final
Montemor terra de sempre
Na história de Portugal

Os que te deixam ficar mal
À muito que por cá estão
O castelo é só um sinal
Dos males da nação

18 março, 2008

«« Minha vida meu poema ««


Ponho a vida num poema
Quando começo a escrever
Na tinta que sai da pena
Saem penas a valer

É assim que sei dizer
O que já te devia ter dito
Numas quadras a correr
Vou escrevendo tudo o que sinto

Umas vezes eu vou indo
Outras me deixo levar
Parecem lobos famintos
Minhas quadras a rimar

Não é falar por falar
Este modo de escrever
São meus versos a contar
Tudo o que te queria dizer

As linhas que vais ler
Lê-as com muita atenção
Só tu as vais entender
Como entendes meu coração…

«« Perguntas ««


Perguntas, e mais perguntas
É o que fazes à vida
Mas a vida parece defunta
Não responde, está deprimida

Vida, vida de fugida
É assim que o tempo passa
Olhando a sombra sumida
Que escurece e amordaça

Quando a vida perde a graça
Tudo parece morrer
Até o tempo que passa
Passamos a querer esquecer

É isto que te vão responder
Meus versos em confusão
Por isso prefiro esconder
O que me vai no coração

Aos poucos na tua mão
Minha alma vou deixando
E os nós do coração
Aos poucos vou desatando

De algum modo vou quebrando
Este meu modo de estar
São teus olhos me guiando
Que me levam a falar…

«« Os dois ««


Obscuro…
Como obscura pode ser a vida
Sem porto seguro
E com causa perdida

Brilhante …
Como brilha o amor verdadeiro
Cantando uma melodia
Que embala o mundo inteiro

São dois seres matreiros
O escuro e o brilho da luz
Enganam qualquer um por inteiro
Quando gritam com voz que seduz

A vida a isto se traduz
Somos aquilo que fazemos
Ou enfiamos um grande capuz
Ou saltamos o muro, e corremos

Nem sempre fazemos, ou temos
Preferimos olhar e não ver
É tão simples, bastava querer-mos
E o querer tudo pode vencer

É para ti, que estou a escrever
Que em ti vais perdendo a esperança
Olha-te ao espelho com olhos de ver
Em ti volta a ter confiança…

04 março, 2008

««« Alternativa «««


Alternativas não há
O que é que se pode fazer
Diz o povo assim não dá
É o que se ouve dizer

A educação está a morrer
À muito que isto se sabe
As crianças mal sabem ler
Mas vão entrar na faculdade

E a seguir que ansiedade
Com o sistema de saúde
Está doente de verdade
O povo que não se cuide

E volta e meia amiúde
Lá vem a justiça à baila
Que de mãos dadas com a saúde
Não há remédio que lhe valha

E na sorte que nos calha
Neste país descontente
Estamos todos na calha
Somos um povo dormente

De tudo ficámos ausentes
À espera do milagre sagrado
Que venha um governo decente
Que nos governe sentado