01 abril, 2008

«« O que ficou! ««


Já não há searas douradas
Que um dia cobriram os campos
Restam terras abandonadas
E velhos esquecidos num canto


Na planície ouve-se o pranto
De quem no tempo parou
Alentejo terras de encanto
De um povo que debandou


Para outras terras rumou
Mas sempre mantém guardado
O sabores que cá deixou
E o cheiro do montado


E quando volta cansado
O Alentejano imigrante
Pode morrer descansado
Nos braços do campo escaldante

«« MONTEMOR-O-NOVO


Montemor terra trigueira
Terra de gente sofrida
Onde as tardes de soalheira
Trazem barulhos da lida

Terra de gente sentida
Povo de alma nobre
Quase sempre dás guarida
Às dores da gente que sofre

No Alentejo vigias a sorte
Com teu castelo imponente
Que agora a chuva forte
Quer arrasar num repente

À tanto que se presente
Este destino final
Montemor terra de sempre
Na história de Portugal

Os que te deixam ficar mal
À muito que por cá estão
O castelo é só um sinal
Dos males da nação

18 março, 2008

«« Minha vida meu poema ««


Ponho a vida num poema
Quando começo a escrever
Na tinta que sai da pena
Saem penas a valer

É assim que sei dizer
O que já te devia ter dito
Numas quadras a correr
Vou escrevendo tudo o que sinto

Umas vezes eu vou indo
Outras me deixo levar
Parecem lobos famintos
Minhas quadras a rimar

Não é falar por falar
Este modo de escrever
São meus versos a contar
Tudo o que te queria dizer

As linhas que vais ler
Lê-as com muita atenção
Só tu as vais entender
Como entendes meu coração…

«« Perguntas ««


Perguntas, e mais perguntas
É o que fazes à vida
Mas a vida parece defunta
Não responde, está deprimida

Vida, vida de fugida
É assim que o tempo passa
Olhando a sombra sumida
Que escurece e amordaça

Quando a vida perde a graça
Tudo parece morrer
Até o tempo que passa
Passamos a querer esquecer

É isto que te vão responder
Meus versos em confusão
Por isso prefiro esconder
O que me vai no coração

Aos poucos na tua mão
Minha alma vou deixando
E os nós do coração
Aos poucos vou desatando

De algum modo vou quebrando
Este meu modo de estar
São teus olhos me guiando
Que me levam a falar…

«« Os dois ««


Obscuro…
Como obscura pode ser a vida
Sem porto seguro
E com causa perdida

Brilhante …
Como brilha o amor verdadeiro
Cantando uma melodia
Que embala o mundo inteiro

São dois seres matreiros
O escuro e o brilho da luz
Enganam qualquer um por inteiro
Quando gritam com voz que seduz

A vida a isto se traduz
Somos aquilo que fazemos
Ou enfiamos um grande capuz
Ou saltamos o muro, e corremos

Nem sempre fazemos, ou temos
Preferimos olhar e não ver
É tão simples, bastava querer-mos
E o querer tudo pode vencer

É para ti, que estou a escrever
Que em ti vais perdendo a esperança
Olha-te ao espelho com olhos de ver
Em ti volta a ter confiança…

04 março, 2008

««« Alternativa «««


Alternativas não há
O que é que se pode fazer
Diz o povo assim não dá
É o que se ouve dizer

A educação está a morrer
À muito que isto se sabe
As crianças mal sabem ler
Mas vão entrar na faculdade

E a seguir que ansiedade
Com o sistema de saúde
Está doente de verdade
O povo que não se cuide

E volta e meia amiúde
Lá vem a justiça à baila
Que de mãos dadas com a saúde
Não há remédio que lhe valha

E na sorte que nos calha
Neste país descontente
Estamos todos na calha
Somos um povo dormente

De tudo ficámos ausentes
À espera do milagre sagrado
Que venha um governo decente
Que nos governe sentado

28 fevereiro, 2008

««« Para ti «««



Um filho

Um filho que vem
Um começo de vida
Mama no meu seio
E me sinto querida

O meu corpo deu vida
Um amor tão puro
Não me sinto vencida
Perante o futuro

Mas hoje te juro
Meu filho querido
Tu foste o futuro
Que tinha sentido

Teria repetido
Com sensatez
E tu terias nascido
De novo outra vez…..

««« Sonho «««


Um dia sonhei
Que caminhava na lua
E aí imaginei
Que seria tua

Com a alma nua
Dei-me sem pudor
E dancei na rua
A dança do amor

Deste-me uma flor
De um perfume intenso
Foi o teu amor
Neste mar imenso

Quando adormeço
Já quase amanhece
E num recomeço
O sonho acontece

««« sinto «««


Sinto-me pequena, insignificante
Sinto que passo sem ficar
Acho que sou um cavaleiro errante
Sem ter onde se abrigar

Que estranha forma de estar
Que estranha forma de ser
Porque tenho que calar
O que queria dizer

Neste meu modo de ser
Ás vezes fico perdida
Quando não consigo vencer
As duras etapas da vida…

«« Quero »«


Eu quero mas quero tanto
Que perco a noção do tempo
Queria ter um manto
Que me aquecesse por dentro

Queria estar bem no centro
Do mundo e vê-lo girar
Queria dormir ao relento
E ter voz para cantar

Queria poder dançar
A dança das borboletas
Queria poder alcançar
Outras estrelas e cometas

Mas como as coisas estão pretas
O melhor é deixar para lá
Nunca jogar na roleta
E indo andando por cá